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Após sua primeira vitória no Circuito Mundial de Surfe, a paulista Camila Cassia quer mostrar seu valor.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com a surfista Camila Cassia – Foto: Lucas Alexandre

Em outubro, a surfista paulista Camila Cassia, de 27 anos, venceu o QS 1500 Neutrox Weekend, sua primeira vitória no Circuito Mundial de Surfe. Na competição realizada na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, superou a favorita, a cearense Silvana Lima, de 33 anos, líder do ranking do WSL Qualifying Series. Nos últimos minutos da final, Silvana liderava a bateria, mas Camila achou uma esquerda que abriu a parede lisa onde ela conseguiu executar três manobras consistentes de backside. Virou o placar e levou o prêmio máximo de 6 mil dólares pela vitória. “Foi a fé. Quando a pessoa tem fé, tudo pode acontecer até os minutos finais”, comemora Camila, cujo resultado mais expressivo até então tinha sido o Pan-Americano de Surfe em 2009, em Ilhéus, na Bahia.

Esporte de Fato – Como foi sua primeira vitória no Circuito Mundial?
Cassia Camila – O título do Neutrox Weekend foi incrível. Sempre sonhei em fazer uma final com a Silvana, que é uma inspiração pra mim. Na hora não estava acreditando, mais sei que foi um resultado de muito trabalho. Desde o começo da bateria, eu optei em pegar as esquerdas perto da bóia, procurei me manter calma e respirar. No final, deu tudo certo pra mim.

Foi emocionante saber que passei a ter a chance de ser campeã olímpica!

Esporte de Fato – Como se iniciou no surfe?
Cassia Camila Sempre fui uma criança que fazia muitos esportes. Fiz  natação, futebol… Um dia, um dos meus irmão começou a surfar e eu acabava indo com ele para a praia. Ele surfava de prancha e eu de morey boogie, aquelas pranchas de borracha. E foi a partir daqui que comecei a gostar do surfe!

Esporte de Fato – O que acha da inclusão do surfe como categoria olímpica, no Jogos Tóquio 2020?
Cassia Camila – Foi emocionante saber que passei a ter a chance de ser campeã olímpica! É uma competição muito especial e reflete na valorização que o surfe vem passando. Deve dar chance de mais pessoas terem acesso ao esporte. Acho que a “brazilian storm” vai representar bem o Brasil nas Olimpíadas. Pode ser uma ótima oportunidade para divulgação do esporte. Quem sabe me ajuda a conseguir patrocínio?

Esporte de Fato – Quais são as próximas competições importantes que irá disputar?
Cassia Camila – Este ano não tem mais campeonatos, mais ano que vem pretendo correr algumas etapas do QS. Pena que eu não consigo disputar mais campeonatos por falta de patrocínio e aqui no Brasil todo mundo vive isso. Eu queria ter oportunidade de participar de várias etapas, porque sei que eu tenho potencial. Espero conseguir um apoio, um patrocinador, para correr todo o Circuito Mundial ano que vem.

Esporte de Fato – Sem patrocinadores, como é que você se vira em termos financeiros?
Cassia Camila – Hoje em dia eu trabalho dando aulas de surfe na Escolinha do Zecão, um espaço educativo para crianças e jovens carentes por meio do surfe que fica na praia de Itamambuca, em Ubatuba. Tenho também alguns apoiadores, como a Follow Board Store, aqui de Ubatuba, Protetor Solar Facial Brazinco, Banana Wax acessórios de surfe, 3dfins de pranchas Cedotte Shapes Surfboards e o Team Maicol Surf Coach.

A desigualdade entre os esportes femininos e masculinos é muito grande ainda.

Esporte de Fato – Qual é o seu local predileto para o surfe?
Cassia Camila – No Brasil, Ubatuba é uma cidade muito abençoada, com muitas opções de ondas. Mas gosto mesmo de surfar no canto direito de Itamambuca, onde consigo me divertir e treinar bem. No mundo, Bali, na Indonésia, que tem altas ondas, água quente e a “vibe” muito boa.

Entrevista com a surfista Camila Cassia – Foto: Pedro Monteiro/Neutrox.

Esporte de Fato – O universo do surfe ainda é predominantemente masculino. Por que é tão mais difícil para as mulheres se profissionalizarem no esporte?
Cassia Camila – A desigualdade entre os esportes femininos e masculinos é muito grande ainda. Não sei porque, pode ser um “preconceito” ou falta de interesse por ser esporte feminino. Tomara que isso possa mudar um dia.

Se pegar gosto pela coisa e puder treinar, com certeza terá chances de ser uma campeã.

Esporte de Fato – Como acredita que o surfe possa se desenvolver como esporte no Brasil?
Cassia Camila – Sou de Ubatuba e lá já podemos perceber os benefícios de campeonatos de surfe, escolas de surfe e projetos escolares ligados ao esporte, todos com foco na qualidade de vida através do surfe. Envolvem também o meio ambiente e dão mais oportunidades a todos.

Esporte de Fato – O que diria para uma jovem que quisesse se iniciar no surfe hoje?
Cassia Camila – Digo que fez a melhor escolha. No começo é difícil, mas a diversão é garantida. Se pegar gosto pela coisa e puder treinar, com certeza terá chances de ser uma campeã.

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