Em ponto de bala

Acir Edling, presidente da Liga Nacional de Tiro ao Prato, festeja crescimento da modalidade no Brasil.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com Acir Edling, presidente da Liga Nacional de Tiro ao Prato e da Federação Paranaense de Tiro Esportivo – Fotos: Luiz Humberto Monteiro Pereira

Entre os dias 15 e 18 de novembro, aconteceu em Ponta Grossa, no Paraná, o Playoff da Liga Nacional de Trap Americano, que também foi a final do Campeonato Brasileiro de Tiro ao Prato 2017 – Trap Nacional – da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo. “A competição foi a maior da história do tiro ao prato brasileiro”, comemora Acir Edling, paranaense de 44 anos, presidente da Liga Nacional de Tiro ao Prato e da Federação Paranaense de Tiro Esportivo e um dos responsáveis pelo evento.

Acir é praticante do tiro há 14 anos e desde 2014 é também representante nacional da grife italiana de vestuários e acessórios para tiro esportivo Castellani. “Uma coisa acabou atraindo a outra”, justifica.

Em 2006 me tornei presidente do clube e fiquei lá por três mandatos, até 2012.

Esporte de Fato – Como o tiro esportivo surgiu na sua vida?
Acir Edling – Conheci o tiro quando o paranaense Rodrigo Bastos, da modalidade fossa olímpica, conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003. Eu era diretor geral da Rádio Difusora e da TV Difusora em Guarapuava e tinha um programa diário de esportes. O Rodrigo tinha parado com o tiro um tempo, mas disputou uma prova e ganhou a vaga para o Pan. Acho que fui o único órgão da imprensa a entrevistá-lo antes da competição. Tanto que, quando voltou ao Brasil, ESPN e SporTv vieram para Guarapuava atrás dele, mas ele fez questão de ir ao meu programa antes de dar entrevista para qualquer um. “Você foi o único que me entrevistou antes de eu ir, agora você vai ser o primeiro a ver a medalha”, ele justificou. Até então, eu tinha 30 anos e nunca tinha dado um tiro na minha vida. Aí passei a frequentar o clube do Rodrigo Bastos. Comecei olhando, logo depois aprendi a fazer a súmula e ficava o sábado inteiro fazendo súmula para eles… Depois de uns dois meses indo lá todos os sábados, um dia o Rodrigo chegou com a arma com que ele ganhou a prata no Pan, me entregou e disse: “Agora você vai dar uns tiros”. Aí eu dei uns cinco tiros lá na fossa olímpica, que é bem mais difícil, e acertei um ou dois. Logo fui atrás de uma arma, me associei ao Clube de Caça e Tiro de Guarapuava e comecei a praticar. Em 2004, o Rodrigo foi às Olimpíadas de Atenas e, quando ele voltou, eu já estava praticando o esporte com afinco. Em 2006 me tornei presidente do clube e fiquei lá por três mandatos, até 2012.

Esporte de Fato – Como foi a criação da Liga Nacional de Tiro ao Prato?
Acir Edling – A partir de 2011, passei a viajar pelo país inteiro participando de competições e comecei a conhecer os atiradores, as lideranças e os presidentes de federações. Na época, o tiro ao prato passava um período muito difícil. Havia dificuldades até para se conseguir os cartuchos para atirar, já que era proibido importá-los. Depois de pensar em como poderíamos solucionar os problemas da modalidade, no dia 29 de novembro de 2011, eu e alguns companheiros criamos a Liga Nacional de Tiro ao Prato. Fará seis anos agora no final do mês. Hoje é um “case” de sucesso. Tem mais de 2.200 associados em 22 estados brasileiros e não para de crescer.

Tivemos 26 damas inscritas – nunca houve um torneio de tiro ao prato que reunisse tantas mulheres.

Esporte de Fato – A Liga Nacional de Tiro ao Prato acaba de organizar em Ponta Grossa, entre os dias 15 e 18 de novembro, o Playoff da Liga Nacional de Trap Americano, realizado junto com o Campeonato Brasileiro de Tiro ao Prato 2017 – Trap Nacional, da Confederação Brasileira de Tiro Esportivo. Como foi a competição?
Acir Edling – Indiscutivelmente foi o maior evento da história do tiro ao prato no Brasil. Jamais tivemos uma competição com mais de 350 atletas e nesse havia mais de 450 inscritos. Tivemos 26 damas inscritas – nunca houve um torneio de tiro ao prato que reunisse tantas mulheres. O Clube de Caça e Pesca do Paraná é um dos mais bem estruturados do Brasil para a prática da modalidade. Existem apenas três clubes de tiro ao prato com seis pedanas (áreas de onde os atletas atiram) – em Ponta Grossa, Caxias do Sul e Rio Claro. Com a quantidade de participantes que tivemos no Playoff da Liga Nacional de Trap Americano, poucos clubes têm estrutura para sediar. O Clube de Caça e Pesca do Paraná investiu muito em equipamentos, máquinas lançadoras de pratos importadas, pratos importados… Nessa competição, usamos mais de 150 mil cartuchos calibre 12. É um trabalho árduo conseguir a liberação da munição com o Exército para um evento desses. Saímos do evento com a sensação de dever cumprido. Tivemos ventos fortes na manhã do dia 16 e uma chuvarada na manhã do dia 18 que deram algum trabalho, mas motivaram os atletas a se dedicarem ainda mais.

Esporte de Fato – Depois das Olimpíadas do Rio de Janeiro, o tiro ao prato teve algum crescimento?
Acir Edling – Infelizmente as Olimpíadas não agregaram nada ao nosso esporte. Aliás, agregaram sim. As Olimpíadas do Rio deixaram um legado de árbitros de tiro. A Confederação Brasileira de Tiro Esportivo formou uma comissão grande de arbitragem, com nível internacional. Nos Jogos Rio 2016, havia apenas dois árbitros que não eram brasileiros. Esse foi o grande legado para o tiro.

Esporte de Fato – Além de atuar como dirigente da Liga Nacional de Tiro ao Prato, você também participa de competições?
Acir Edling – Continuo participando de competições de trap, mas quem organiza os torneios de tiro não consegue fazer resultado. Desde que virei dirigente, o meu tiro “foi para o saco”.

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