Passo forte

O maratonista gaúcho Alex Pires acelera rumo às Paraolimpíadas de Tóquio, em 2020.

Entrevista com o maratonista paraolímpico Alex Pires – Foto: acervo pessoal

por Luiz Humberto Monteiro Pereira 

humberto@esportedefato.com.br

Gaúcho de Sapiranga, Alex Pires sempre gostou de esportes e queria ser jogador de futebol. Aos 8 anos de idade, os pais notaram um encurtamento do braço esquerdo, que não acompanhava o crescimento do restante do corpo. Conforme o garoto foi crescendo, a atrofia foi se tornando mais perceptível. “É provável que tenha sofrido uma fratura na região de crescimento do braço e não senti dor. Por conta disso, o membro teve uma rotação, calcificou e deixou de crescer normalmente. Não cheguei a fazer cirurgia por ser muito novo na época e ter risco de perder o movimento do braço”, explica Alex. O problema físico não atrapalhou sua paixão pelo futsal. Até que, em 2007, foi apresentado a uma nova paixão: as corridas de rua. De cara, venceu a primeira que disputou. “Eu vi ali que poderia tentar mais. Fui procurar mais informações de como me inscrever em outras provas. Naquela época inclusive, eu achei que poderia me tornar um atleta olímpico e não paralímpico”, conta.

Em uma década de trajetória, a paixão pelo atletismo se converteu em medalhas, primeiro em competições regionais e depois nas nacionais e internacionais. Nos últimos tempos, se especializou em maratonas. Em 2015, levou a medalha de prata na maratona no Campeonato Mundial Paraolímpico, em Londres, na classe T45/46 – para amputados dos membros superiores.

Nas Paraolímpiadas do Rio, em 2016, se sentiu mal e teve de abandonar a prova quando estava em terceiro lugar. Em abril, desse ano, conquistou a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Maratona Paraolímpica, novamente em Londres, com o tempo de 2h28min29. “Comecei 2017 treinando lesionado, só para poder competir no Mundial. Me sacrifiquei muito para ter esse título. Graças a Deus, deu tudo certo, conquistei a medalha de ouro e tive tempo para recuperar de lesão. E agora estou vivendo minha melhor fase na carreira”, comemora.

Hoje, aos 27 anos, treina no Sogipa, em Porto Alegre, em dois períodos por dia. O objetivo é ter uma nova oportunidade de representar o Brasil nos Jogos Paraolímpicos. “Quero quebrar alguns recordes mundiais e ser campeão paraolímpico em Tóquio, em 2020”, avisa.

Esporte de Fato – Como a maratona surgiu na sua vida?
Alex Pires – Sempre gostei de praticar esportes na infância, e joguei futebol até meus 17 anos, quando comecei a correr. No início, disputei provas menores, como 5 km e 10 km. Depois tive alguns anos correndo provas de pista, como 800 e 1.500 m, até minha estreia em 2014 na maratona de fato. A prova surgiu naturalmente, por uma preferência minha de gostar de disputar corridas longas e de rua.

Somos uma potência paraolímpica mundial no atletismo e temos todo apoio necessário para isso.

Esporte de Fato – Quais foram seus resultados mais expressivos?
Alex Pires – Sou o atleta paraolímpico mais completo das provas de média e longa distância. Tenho seis medalhas em campeonatos mundiais, sendo duas delas de prata (1.500 e 5.000m rasos T46) e uma de bronze (800 m rasos T46), no mundial de 2013, em Lyon. Mais duas de prata, uma no Mundial de Maratona em Londres e outra no Mundial de Atletismo, na prova de 1.500 m, em Doha, ambos em 2015. E este ano me tornei campeão mundial de maratona em Londres.

Esporte de Fato – Como vê o atletismo paraolímpico no Brasil hoje, um ano após os Jogos Rio 2016?
Alex Pires – Somos uma potência paraolímpica mundial no atletismo e temos todo apoio necessário para isso. Talvez o que mais falte é mídia, divulgação por parte dos meios de comunicação, para que o povo brasileiro conheça melhor os seus atletas paraolímpicos e possa torcer por eles.

Esporte de Fato – Além da maratona, quais são suas atividades?
Alex Pires – Moro em Porto Alegre e hoje vivo para o atletismo 24 horas por dia. Mas também gosto de sair, viajar, fazer coisas tranquilas que não me prejudiquem a carreira. Este ano comecei a cursar Educação Física, mas devido à minha preparação para a Maratona da Disney, resolvi trancar esse semestre para focar cem por cento na prova. O treinamento de um maratonista é muito desgastante.

Esporte de Fato – Quais são seus patrocinadores?
Alex Pires – Sou patrocinado pela Loterias Caixa, Programa Bolsa Pódio e aminoVital Gold, produto da Ajinomoto do Brasil que oferece nove aminoácidos essenciais. Sou fã desse produto! Como vem em sachês individuais, é fácil de ser consumido durante as atividades!

Talvez o que mais falte é mídia, divulgação por parte dos meios de comunicação.

Esporte de Fato – Quais são as próximas competições que pretende disputar?
Alex Pires – Desde o Mundial Paraolímpico de Londres, em abril, estou em fase de preparação, visando a Maratona da Disney, em janeiro. É uma prova para a qual tenho grandes expectativas. Até lá, vou correr três etapas do Circuito da Caixa e a meia maratona de Florianópolis. Num prazo um pouco mais longo, pretendo ser medalhista de ouro paraolímpico na maratona em Tóquio, em 2020.

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