Cesta dos sonhos

Vice-campeão mundial sub-18 de basquete 3X3, o gaúcho Marcelo Duro comemora a entrada de sua modalidade nos Jogos Tóquio 2020.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com o armador gaúcho Marcelo Duro, vice-campeão mundial pela seleção brasileira de basquete 3X3 – Foto: acervo pessoal

No dia 9 de junho, o Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou a inclusão do basquete 3X3 nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020. A modalidade, também conhecida como “basquete de rua”, tem mais 250 milhões de adeptos ao redor do mundo e começou a se tornar profissional nos Estados Unidos há 30 anos. A quadra corresponde à metade da dimensão de uma quadra oficial de basquete, sendo utilizada apenas uma tabela. Os times têm 12 segundos para atacar e vence quem chegar primeiro aos 21 pontos. O basquete 3X3 já fez parte dos Jogos Olímpicos da Juventude de Cingapura, em 2010, e de Nanquim, em 2014 – e está confirmado para a edição de Buenos Aires, em outubro do ano que vem.

No ano passado, o Brasil conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial 3X3 Sub-18 Masculino, disputado em Astana, no Cazaquistão. O gaúcho Marcelo Pires Duro fez parte daquela equipe, formada também pelo carioca Fabrício Veríssimo e pelos paulistas Felipe Franklin Santos e Luiz Felipe de Paulo Silva. Nascido e criado em Porto Alegre, o armador comemorou bastante a entrada de sua modalidade nas Olimpíadas de 2020. Mas tenta não se empolgar demais com a ideia de representar o Brasil na competição. “Estou estudando para passar no vestibular de Medicina, o que acabou me afastando um pouco da vida esportiva”, pondera Marcelo, com a maturidade dos seus 18 anos agora completos.

Esporte de Fato – Como o basquete 3X3 surgiu na sua vida?
Marcelo Duro – Desde pequeno sou apaixonado por esportes. Sempre tive o apoio dos meus pais para a tentativa de diferentes atividades. Futebol de campo e de salão, judô e natação são esportes pelos quais já passei. Porém foi com o basquete que mais me identifiquei. Comecei a jogar no Colégio Anchieta, em Porto Alegre, com sete anos, logo que entrei no ensino fundamental. Mais tarde, com doze anos, passei a treinar no Grêmio Náutico União, onde fiquei até fazer quinze anos, quando troquei de clube e passei a defender a Sogipa. Minha entrada no basquete 3X3 aconteceu quando surgiu a oportunidade de participar de um campeonato estadual dessa categoria. Nosso time foi campeão, o que nos proporcionou uma vaga no campeonato brasileiro do basquete 3X3 de 2015, do qual fomos vice-campeões. No ano seguinte, com um grupo diferente, conquistamos o segundo lugar no estadual, o que nos levou a mais um campeonato brasileiro, no qual conquistamos novamente a medalha de prata. Para ser convocado para a seleção do basquete 3X3 e jogar um Campeonato Mundial, a FIBA exige que os jogadores tenham no mínimo duas participações em campeonatos oficiais nos doze meses antecedentes, de forma que eles possam ser ranqueados. Ser convocado e participar do Campeonato Mundial de Basquete do basquete 3X3 Sub-18 de 2016 foi uma das melhores experiências que já tive. O resultado no Mundial não era esperado, tendo em vista que nunca havíamos treinado juntos, o que nos deixava um pouco inseguros. Mas a nossa determinação e o apoio de amigos e familiares nos levaram à conquista da medalha de prata.

A Confederação Brasileira de Basquete vem dando seu máximo para impulsionar a modalidade

Esporte de Fato – Qual são as diferenças entre o basquete 3X3 e o basquete convencional?
Marcelo Duro – As modalidades se diferem bastante. Para jogar o basquete 3X3 é necessário apenas metade de uma quadra convencional, quatro jogadores por time, dos quais um é reserva – mas as substituições acabam sendo constantes durante as partidas. As partidas são muito cansativas, devido ao curto tempo de duração – acaba ao final de dez minutos ou se um dos times chegar a 21 pontos. Acredito que o basquete 3X3 é mais atraente principalmente por ser mais fácil de organizar, e por ser mais individual, gerando jogadas belas, que chamam a atenção. As cestas de três pontos no basquete convencional, quando o arremesso é executado atrás de uma linha traçada em torno da área restritiva distante 6,75 m da cesta, valem dois pontos no 3X3, e as de cestas normais, de dois pontos do basquete convencional, valem um ponto nos 3X3. A preparação, tanto física quanto tática, muda muito de acordo com a modalidade. Por isso, muitos jogadores de uma modalidade não se encaixam na outra.

Esporte de Fato – Quais são os principais nomes do basquete 3X3?
Marcelo Duro – O 3X3 é baseado em rankings e os países que mais se destacam em competições mundiais são a Sérvia e a Eslovênia. O jogador com melhor classificação e mais conhecido mundialmente é o sérvio Dusan Bulut e o brasileiro com melhor classificação mundial é o paulista Luiz Felipe Soriani. Já nas categorias mais novas, jogadores que admiro muito são o filipino Kobe Paras e o neo-zelandês Tai Wynyard.

Esporte de Fato – Como vê o desenvolvimento do basquete 3X3 no Brasil?
Marcelo Duro – A Confederação Brasileira de Basquete vem dando seu máximo para impulsionar a modalidade, promovendo campeonatos completos, com fases estaduais (classificatórias) e nacionais (finais). O 3X3 acaba predominando no Rio de Janeiro e de São Paulo, onde há diversos eventos abertos ao público.

muitos jogadores de uma modalidade não se encaixam na outra

Esporte de Fato – O que achou da inclusão do basquete 3X3 nas Olimpíadas de Tóquio?
Marcelo Duro – O basquete 3X3 é um esporte que, ultimamente, cresceu muito em todo o mundo. Logo, a inclusão nas Olimpíadas era apenas questão de tempo. O Brasil vem investindo muito na prática do esporte, por isso espero e torço por uma boa colocação da seleção. Nada é certo quando se trata de convocações para a seleção. Para quem sonha, um dia, representar o país em competições mundiais, o jeito é se entregar completamente e se dedicar muito nos treinos. Como estou estudando para o vestibular de Medicina, sobra pouco tempo para treinar.

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