Acelerar sem parar

Depois do ouro com recorde mundial nos Jogos Paraolímpicos Rio 2016, Petrúcio Ferreira quer se manter embalado até Tóquio 2020.

Entrevista com o velocista Petrúcio Ferreira – Foto de Leandro Martins/MPIX/CPB

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Petrúcio Ferreira dos Santos nasceu em 1996 na cidade de São José do Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba, e perdeu parte do braço esquerdo aos dois anos, em um acidente num moedor de cana. Aos 15 anos, pela televisão, torcia pelo atletismo paraolímpico brasileiro nos Jogos de Londres. Nunca havia pensado em competir, mas vibrava muito com os resultados do alagoano Yohansson Nascimento, que conquistou nas pistas inglesas a medalha de ouro nos 200 metros rasos e a prata nos 400 metros na categoria T46, para amputados dos membros superiores. Quatro anos depois, em setembro de 2016, Petrúcio estava na pista dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, ao lado do ídolo Yohansson.

Os 10s57, com direito a recorde mundial e medalha de ouro nos 100 metros da categoria T47, colocaram o jovem paraibano de apenas 19 anos como um dos grandes nomes do esporte paraolímpico brasileiro. “Subir no pódio, escutar o Hino Nacional ouvindo todo o estádio cantar junto é uma alegria que nem sei como explicar”, relembra o atleta que, no mesmo evento, ainda conquistou a prata nos 400 metros e no revezamento 4X100 metros. Mas, se depender dele, sua trajetória olímpica apenas começou. “Em 2020, quero chegar em Tóquio na minha melhor forma”, avisa Petrúcio, que está convocado para o Mundial Paraolímpico de Atletismo, que será disputado em Londres, de 14 a 23 de julho.

Pretendo ter bons resultados não apenas em Tóquio, mas também nos próximos ciclos olímpicos

Esporte de Fato – Como se iniciou no atletismo?
Petrúcio Ferreira – Fui descoberto jogando futebol de salão. Um cara me viu na quadra e convidou pra fazer um teste no atletismo. Minha primeira competição foi na edição de 2013 das Paraolimpíadas Escolares, em São Paulo. Fui só para conhecer, mas fiz um bom resultado e chamei a atenção do coordenador técnico do atletismo do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Ciro Winckler. Em 2014, já fui convocado para a seleção. Logo percebi que o atletismo poderia mudar minha vida e que era uma oportunidade que eu não poderia deixar escapar. Hoje eu amo correr e amo treinar.

Esporte de Fato – Dos títulos que conquistou, quais considera mais marcantes?
Petrúcio Ferreira – As medalhas que conquistei nos Jogos Rio 2016 certamente foram as mais importantes. Entre elas, eu destaco o surpreendente segundo lugar nos 400 metros. A prova não era a minha especialidade, eu não acreditava que sequer conseguiria chegar à final, mas acabei com a medalha de prata!

Esporte de Fato – Como percebeu o impacto dos Jogos Rio 2016 no esporte paraolímpico brasileiro?
Petrúcio Ferreira – Os Jogos Rio 2016 trouxeram uma visão do atleta paraolímpico que alguns brasileiros não tinham. Muitos achavam que ser atleta paraolímpico era fácil. Mas, se você disputa em alto rendimento, tem de batalhar muito para superar as limitações causadas por suas deficiências. Todos, no mundo inteiro, correm atrás para dar o seu melhor. Às vezes, os paraolímpicos se superam tanto que atingem marcas tão boas quanto às dos atletas olímpicos sem deficiência física. Isso serve para mostrar que nada é impossível. Foi muito bom ver as arenas cariocas lotadas e as pessoas encarando os atletas das Paraolimpíadas como esportistas de alta performance. É o que, de fato, eles são.

Quero cursar Educação Física, para atuar bem a minha área atual

Esporte de Fato – Como avalia suas possibilidades nos Jogos de Tóquio, em 2020?
Petrúcio Ferreira – Em 2020, quero subir novamente no degrau mais alto do pódio. Pretendo ter bons resultados não apenas em Tóquio, mas também nos próximos ciclos olímpicos.

Esporte de Fato – Além da atual atividade como atleta, o que visualiza como seu futuro profissional?
Petrúcio Ferreira – Hoje eu vivo exclusivamente para o esporte. Moro em João Pessoa e treino no campus da Universidade Federal da Paraíba, de segunda a sábado. A dedicação é integral. Eu recebo a Bolsa Pódio do Ministério dos Esportes e sou patrocinado pela Nike, Loterias Caixa e Nissan. Para um atleta de alto rendimento, o esporte precisa ser priorizado de forma absoluta. Mas pretendo ingressar o quanto antes numa faculdade. Quero cursar Educação Física, para atuar bem a minha área atual, com treinamento de atletas de alta performance.

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