Altas aventuras

Escalar sete montanhas, as maiores de cada continente, é a meta do alpinista paranaense Hélio Fenrich.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com o alpinista paranaense Hélio Fenrich – Fotos: arquivo pessoal.

Em 1985, o alpinista norte-americano Richard Bass tornou-se o primeiro a escalar todos os picos mais altos de cada continente – considerando-se as Américas do Norte e do Sul como dois continentes e também a Antártica. As sete montanhas que fazem parte desse circuito são Everest, com 8.848 metros, entre o Nepal e o Tibet (Ásia); Aconcágua, com 6.962 metros, na Argentina (América do Sul); Denali, com 6.194 metros, no Alasca, (América do Norte); Kilimanjaro, com 5.891 metros, na Tanzânia (África); Elbrus, com 5.642 metros, na Rússia (Europa); Vinson (4.892 m), na Antártica; e Carstensz, com 4.884 metros, na Indonésia (Oceania). De lá para cá, muitos alpinistas de todo o mundo já completaram o “Desafio dos 7 Cumes”, inclusive oito brasileiros. O paranaense Hélio Fenrich, de 40 anos, planeja entrar nesse “clube” – já escalou o Kilimanjaro, o Elbrus e o Aconcágua. “Em 2015, vindo de uma escalada no Peru, decidi juntar minhas forças e tentar vencer o ‘Desafio dos 7 Cumes’”, explica o alpinista, que trabalha como coordenador de vendas em uma indústria de máquinas na cidade catarinense de Jaraguá do Sul, onde vive com a mulher e o filho de 14 anos.

Hélio acaba de retornar ao Brasil, após ser obrigado a desistir da expedição que faria ao monte Denali, no Alasca. A subida à montanha mais alta da América do Norte precisou ser cancelada por causa de acidentes no local. “As autorizações devem ser solicitadas 60 dias antes do embarque. Eu estava liberado, mas ocorreram acidentes nas últimas semanas e havia um alpinista desaparecido. Por isso, temporariamente, ninguém pode subir sozinho”, explica o alpinista. Com o imprevisto, Hélio segue em preparação para, na próxima temporada, realizar a subida no Denali. Lá, terá de superar as fendas mais profundas do planeta, além de clima extremo e ventos que passam de 150 quilômetros por hora.

Minhas escaladas são quase sempre em solitário, mas não gosto de escalar sozinho.

Esporte de Fato – Como o alpinismo surgiu na sua vida?
Hélio Fenrich – Comecei a me interessar pelo assunto em 1995, depois da conquista brasileira no Monte Everest. Mas, até 2007, fui apenas espectador ou leitor. Naquele ano, comecei a encarar as montanhas. Essa fase “teórica”, de 1995 até 2007, foi muito importante porque não pensava em escalar montanhas, mas lia, ouvia muito sobre o esporte. Quando comecei a escalar, iniciei com muita informação de como fazer e fazer em segurança.

Esporte de Fato – Por que normalmente faz as escaladas sozinho?
Hélio Fenrich – Minhas escaladas são quase sempre em solitário, mas não gosto de escalar sozinho. Acho muito importante ter um companheiro para dialogar e tomar as decisões na montanha. Porém, é difícil encontrar um parceiro com os mesmos objetivos, sonhos e datas iguais para viagens.


Entrevista com o alpinista paranaense Hélio Fenrich – Foto: arquivo pessoal

Esporte de Fato – Como parte do “Desafio dos Sete Cumes”, você já esteve no Kilimanjaro, no Elbrus e no Aconcágua. Quais as maiores dificuldades de cada uma dessas montanhas?
Hélio Fenrich – O Aconcágua foi a mais difícil, isso e por vários fatores, como quantidade de dias na montanha, altitude, frio e ventos fortes. Levei 16 dias na montanha. Foi duro! O clima foi severo o tempo todo. Estamos falando de uma montanha com quase sete mil metros de altitude ao nível mar. Muitos estudiosos em alta montanha dizem que devido à localização geográfica, clima seco, ventos e característicos do Aconcágua, é como subir uma montanha de até oito mil metros no Himalaia. O Elbrus foi difícil também por não estar aclimatado para fazer a subida. Subi em três dias aproveitando uma janela de tempo bom. Muitos, no Elbrus, usam os teleféricos para subir até o acampamento base, mas meu projeto é diferente e subi desde Terskol caminhando e levando todo meu equipamento. Depois dos 5,2 mil metros no Elbrus, senti muito a falta de aclimatação. Mas me concentrei e foquei na montanha e porque estava ali. Isso me fortaleceu e segui até o topo. O Kilimanjaro é uma montanha com características diferentes. Eu achei mais fácil. Até queria fazer duas subidas nessa montanha, uma subindo normal, aclimatando bem, e depois faria uma subida em velocidade, correndo e com objetivo de fazer todo percurso em 20 horas. Devido às regras de subir somente com guia, este projeto foi deixado de lado.

Esporte de Fato – Qual foi o acontecimento mais inusitado que já aconteceu em suas escaladas?
Hélio Fenrich – Em 2013, estava escalando com um amigo e encontramos um grupo de tchecos. E um deles era cego. Foi incrível, imaginei a superação dele e também a sensação dele naquele lugar. Ele caminhava sem auxílio de cordas ou sendo puxado pelo guia e se localizava pelo som dos bastões de caminhada do guia. Tinha o mesmo ritmo de uma pessoa normal. Isso tudo me mostrou que não importa o tamanho da sua superação, sempre existe alguém com muito mais dificuldades para superar.

Esporte de Fato – Após o Denali, qual a próxima escalada que pretende realizar?
Hélio Fenrich – Depois do Denali, lanço o projeto “Everest 2019”, e foco toda energia e esforços nele. No Everest, pretendo realizar uma escalada sem auxílio de oxigênio suplementar e sem ajuda dos xerpas. Será um grande projeto, que vai envolver um grande planejamento para conseguir superar esse desafio.

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