Nas redes do mundo

O viajado oposto paulistano Leandro Vissotto comemora sua volta ao campeonato italiano de vôlei.

Entrevista com o jogador de vôlei paulista Leandro Vissotto, do Gi Group Team Monza, da Itália – Foto: divulgação/Gi Group Team Monza

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Leandro Vissotto já rodou o planeta jogando vôlei. Literalmente. Paulistano criado no Rio de Janeiro desde os dois anos de idade, começou aos 12 no vôlei no Flamengo, mas aos 17 anos mudou-se para Joinville, em Santa Catarina, para jogar no Unisul. Depois, jogou pelo Suzano, de São Paulo, e pelo Minas Tênis Clube, até que em 2004 foi pela primeira vez para a Itália, onde passou pelo Maggiora Latina, Taranto e Diatec Trentino, onde venceu o Mundial de Clubes em 2009. Em 2010, voltou ao Brasil para uma temporada pelo Vôlei Futuro, da cidade paulista de Araçatuba. Retornou ao campeonato italiano para reforçar o BRE Banca Lannutti Cuneo e, na sequência, disputou o campeonato russo pelo Ural Ufa, mas ao final da temporada resolveu embarcar para o Brasil para integrar a equipe carioca do RJX Vôlei. Em 2013, foi para a Coreia do Sul jogar pelo Suwon Kepco 45.

Depois disputou duas temporadas pelo japonês JT Thunders, até que no ano passado foi para o Al-Arabi, do Catar. Aos 33 anos, está de volta à Itália, onde veste desde janeiro desse ano a camisa 16 do Gi Group Team Monza, da região da Lombardia. “Não pensei duas vezes quanto tive a oportunidade de retornar para o melhor campeonato do mundo. Na Itália, no início de temporada, já se sabe toda a programação do que vai acontecer. É uma organização muito boa. Acho que, no Brasil, esse aspecto deixa um pouco a desejar”, pondera o oposto de 2,12 metros de altura, casado desde 2009 com Nathalia e pai de Catarina, de 6 anos, e Victória, de 3 anos.

Esporte de Fato – Como o vôlei surgiu em sua vida?
Leandro Vissotto – Minhas irmãs jogavam no Flamengo e acabaram sendo uma grande influência para mim. Comecei a jogar lá aos 12 anos. Cresci praticamente dentro do vôlei. Fui aprendendo e me desenvolvendo rapidamente. Com 17 anos já estava jogando no meu primeiro time profissional, o Unisul, de Santa Catarina. E, no final da temporada, já era titular. Minha profissionalização aconteceu de uma forma muito rápida e natural.

Esporte de Fato – Quais considera os pontos mais marcantes de sua carreira?
Leandro Vissotto Sem dúvida, o Mundial na Itália, em 2010, e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foram as competições mais emblemáticas. Também não dá para esquecer a conquista da Liga Mundial de 2009, quando ganhamos da Sérvia na final por 3 a 2 em uma partida histórica, em Belgrado. Venci mundiais de seleções em todas as categorias – fui campeão infanto no Egito, em 2001, juvenil, na Polônia, também em 2001, e adulto, na Itália, em 2010 – e também tenho um título do Mundial de Clubes pelo Trentino, da Itália, em 2009. Acredito que, no mundo, seja o único atleta a ter todas essas conquistas em mundiais. Na seleção, foram oito anos de ótimas lembranças e muitas alegrias. Muitos títulos, muitas finais, vitórias e derrotas. Mas só usar a camisa da seleção brasileira, cada vez que você entra em quadra, é sempre emocionante.

Esporte de Fato – Como avalia o impacto dos Jogos Rio 2016 no esporte olímpico brasileiro?
Leandro Vissotto – A Olimpíadas do Rio de Janeiro trouxeram esperança, mas a realidade é mais dura. Como tudo no Brasil, a gente acredita e se ilude um pouco. As instalações olímpicas já estão ficando degradadas e infelizmente isso é um pouco do reflexo dos comandantes do nosso país. O que era para ter ficado como legado vai se transformar em problemas e despesas.

Esporte de Fato – Quais são as próximas competições que irá disputar?
Leandro Vissotto – Cheguei na equipe do Monza já no returno do campeonato italiano e garantimos uma classificação inédita do clube para os playoffs. Agora vamos buscar a qualificação para a Copa da Confederação Europeia de Voleibol 2017/2018.

Esporte de Fato – Como está a vida nessa sua volta à Itália?
Leandro Vissotto – O vôlei toma grande parte do meu tempo. Jogo em Monza e, em uma equipe italiana de alto rendimento, a gente fica em tempo integral dedicado à vida de atleta. Todos esperam muito de mim pelo que eu fiz e conquistei por aqui. Tenho que estar sereno e fisicamente preparado para estar no meu melhor no momento certo.

Esporte de Fato – E quais são seus planos para o futuro?
Leandro Vissotto – Quando parar de jogar, imagino concretizar alguns projetos. Pretendo abrir uma escola de vôlei nos Estados Unidos e dar continuidade ao meu trabalho como treinador. Ensinar vôlei e transmitir um pouco da experiência que adquiri depois de rodar o mundo passando pela Coreia, Japão, Rússia, Brasil e Itália. Tenho muita experiência para dividir.

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