Bater e correr

Presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, o paulista Jorge Otsuka comemora volta das modalidades nas Olimpíadas de 2020.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com Jorge Otsuka, presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol – Foto: Nelson Yajima/CBBS

O beisebol estreou como modalidade olímpica nos Jogos de Barcelona, em 1992. Depois de cinco Olimpíadas seguidas, acabou ficando de fora dos Jogos de Londres e do Rio de Janeiro. Em 2020, estará de volta nos Jogos de Tóquio – mas sua permanência nas Olimpíadas seguintes não está definida. No Brasil, a prática do esporte se concentra nos estados com grandes colônias japonesas, como São Paulo e do Paraná. E boa parte dos praticantes no país são descendentes de japoneses. Como Jorge Otsuka, paulista da cidade de Guararapes. Começou como atleta e tornou-se presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol desde que ela foi fundada, em 1990. “A volta do beisebol e do softbol como esportes olímpicos é um sonho. Todo atleta quer participar das Olimpíadas. A luta pelo retorno foi bastante difícil, mas compensadora. Agora a briga é pela permanência definitiva nas Olimpíadas futuras, e não apenas na de Tóquio”, acredita o administrador de empresas aposentado de 69 anos.

Esporte de Fato – Quais são as diferenças entre o beisebol e o softbol?
Jorge Otsuka – Embora as duas modalidades possam ser disputadas por ambos os sexos, nas Olimpíadas de Tóquio, o beisebol será disputado pelos homens e o softbol, pelas mulheres. O beisebol utiliza uma bola menor que a do softbol. O tempo de jogo e as distâncias entre as bases do softbol são menores. E, no softbol, o lançador atira as bolas sempre por baixo. No resto, as regras são similares.

Somos os atuais Campeões Sul-Americanos sub-16 anos nas duas modalidades.

Esporte de Fato – Quais as chances brasileiras no beisebol e no softbol nos Jogos Tóquio 2020?
Jorge Otsuka – As possibilidades para classificação são duríssimas, pois todos sabem que é nas Américas que se pratica o melhor beisebol e softbol do mundo, em países como Estados Unidos e Cuba. Dependemos das regras para a classificação olímpica. Se houver uma vaga específica para a América do Sul, teremos grandes chances, tanto no beisebol quanto no softbol. Somos os atuais Campeões Sul-Americanos sub-16 anos nas duas modalidades.

Esporte de Fato – Nos últimos anos, jogadores brasileiros chegaram à norte-americana MLB (Major League Baseball), maior liga de beisebol do mundo. Onde jogam os principais atletas brasileiros no beisebol e no softbol?
Jorge Otsuka – Há atletas brasileiros jogando nos Estados Unidos e Japão, tanto no beisebol quanto no softbol. E também há brasileiros atuando com grande destaque no México, Panamá, Venezuela, República Dominicana, etc… Todos eles poderiam defender o país em campeonatos mundiais e também nas Olimpíadas.

Para que se desenvolvam mais por aqui, é necessário massificar as modalidades e incluí-las em projetos sociais, para trazer crianças em idade escolar para o esporte.

Esporte de Fato – Um empecilho na popularização do beisebol é que o material de jogo é importado e o custo é alto. A volta às Olimpíadas, nos Jogos Tóquio 2020, pode ajudar a popularização do esporte no Brasil?
Jorge Otsuka – Será um novo alento e as duas modalidades passam a ganhar mais visibilidade e interesse, tanto na mídia quanto por parte dos patrocinadores. Isso certamente irá atrair novos praticantes – e o aumento da demanda pode ajudar a reduzir os preços dos equipamentos. A inclusão do beisebol e do softbol no programa Bolsa Atleta do Ministério dos Esportes – estavam de fora por não fazerem parte do programa olímpico – também é um passo importante. Tecnicamente estamos bastante desenvolvidos. Para que se desenvolvam mais por aqui, é necessário massificar as modalidades e incluí-las em projetos sociais, para trazer crianças em idade escolar para o esporte. Já iniciamos essa prática junto a algumas prefeituras e o objetivo é expandir o projeto para estados do Norte e Nordeste. Outra ideia interessante seria que o beisebol e o softbol se tornassem matéria curricular nas universidades de Educação Física.

Esporte de Fato – O que diria para um jovem que quisesse se iniciar no beisebol ou no softbol hoje?
Jorge Otsuka – Diria que o nosso esporte é ideal para o brasileiro, pois nele é possível fazer uso da agilidade, do reflexo e da ginga brasileira. Um ponto a favor é que o beisebol e o softbol são bastante inclusivos – tanto o magro quanto o gordo, e também o alto e o baixo, podem jogar.

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