Rumo ao Monte Olimpo

Com a estreia da escalada esportiva nos Jogos de Tóquio, em 2020, Thais Makino acredita na evolução do esporte no Brasil.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira

humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com a atleta Thais Makino, um dos destaques brasileiros da escalada esportiva – Fotos: Marcelo Balestero

Depois de se garantir em caráter experimental nos Jogos de Tóquio, em 2020, a escalada esportiva quer mostrar ao Comitê Olímpico Internacional que merece ser incluída oficialmente no programa olímpico. As modalidades da escalada que estarão nos jogos olímpicos de 2020 são boulder, dificuldade e velocidade. Na disputa olímpica, todos os escaladores terão que competir nas três modalidades e a soma total das pontuações definirá os vencedores. No final, serão duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze – metade para os homens e metade para as mulheres. Para tentar uma das 40 vagas mundiais da escalada nas Olimpíadas, o escalador brasileiro tem que ser filiado à Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), que representa a Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC) no Brasil.

Segundo a ABEE, entre os atletas que possuem melhor desempenho nas modalidades em que o Brasil é ativo – boulder e dificuldade – está Thais Makino, 28 anos, nascida em Guarulhos e residente na capital paulista. “Ao fazer parte das Olimpíadas de Tóquio, a escalada esportiva ganha mais visibilidade, ajuda a desconstruir a ideia de que é um esporte de alto risco, abre um canal com a comunidade internacional e caminha para se profissionalizar como esporte”, explica Thais, que foi campeã brasileira na modalidade dificuldade em 2010 e modalidade boulder em 2012 e 2016. Também foi vice-campeã juvenil no Campeonato Centro Sul Americano na Venezuela, em 2004, e terceiro lugar no The North Face Master de Boulder, no Chile, em 2012. Ela é formada em Artes Visuais pela Unicamp e atualmente trabalho como assistente de fotografia.

Esporte de Fato – Como se iniciou na escalada esportiva?
Thais Makino Comecei a escalar com 10 anos, junto com meus pais e a minha irmã, que na época tinha 15 anos e quis fazer um curso de escalada em rocha. Após realizar este curso, meus pais se interessaram também e então nós quatro passamos a frequentar a academia de escalada esportiva 90 Graus, na capital paulista, e picos de escalada em rocha.

Esporte de Fato – Como avalia as possibilidades brasileiras na escalada esportiva nos Jogos Tóquio 2020?
Thais Makino A realidade brasileira é a de que nunca houve uma estrutura satisfatória para o desenvolvimento dos atletas de escalada, da forma como ocorre em países em que existe mais tradição no esporte. Somente em 2014 surgiu por aqui uma entidade voltada especificamente para a escalada esportiva com foco nas competições, a Associação Brasileira de Escalada Esportiva, da qual faço parte. Avalio a inclusão da escalada nos Jogos Olímpicos de Tóquio como uma oportunidade para que os trabalhos da ABEE possam continuar acontecendo e possibilitando que os novos atletas brasileiros tenham as oportunidades que a maioria dos nossos atletas atuais não teve até então. Acredito ser um trabalho que mostrará resultados a longo prazo, mas não descarto a possibilidade de alguém despontar nesse período, talvez beneficiado também pela profissionalização do esporte, elevando mais as chances brasileiras em um evento internacional.

Esporte de Fato – Como acredita que a escalada esportiva possa se desenvolver no Brasil?
Thais Makino Como acontece com muitos esportes pequenos, é impossível dar um passo grande demais pela limitação financeira. Já é uma grande vitória ter encontrado um meio de conseguir realizar um ranking nacional anual. Se houver mais investimento e visibilidade para o esporte agora com a inclusão da escalada em Tóquio 2020, creio que as coisas só tendem a melhorar.

Esporte de Fato – No Brasil, qual é a seu local predileto para a escalada esportiva? E no mundo?
Thais Makino No Brasil, ainda preciso conhecer muitos lugares. Mas não importa que lugares que eu conheça, a cidade de São Bento do Sapucaí, em São Paulo, sempre terá um lugar especial para mim. Além de ter uma paisagem incrível, foi onde comecei a escalar na rocha e a considero como uma segunda casa. E é também onde moram muitos amigos e onde tive experiências inesquecíveis com o esporte. Fora do Brasil também preciso conhecer ainda muitos locais. Dos que já tive o privilégio de conhecer, Fontainebleau, na França, é absolutamente marcante. Além de ser uma área maravilhosa e com uma rica história, possui uma formação rochosa única e tem o bônus dos vinhos, queijos, pães…

Esporte de Fato – O que achou do modelo da disputa da escalada esportiva dentro das Olimpíadas?
Thais Makino Parece que não farão pódios para cada uma das três modalidades oficiais  – boulder, dificuldade e velocidade. Farão apenas um pódio. Teremos que esperar até 2017 para saber como será realizada a competição dentro das Olimpíadas. Eu particularmente acho injusto retirar qualquer uma das três modalidades das Olimpíadas ou eleger somente uma modalidade para representar a escalada. Apesar de não ser o ideal, creio ser justo premiar os melhores no somatório das três modalidades. Tenho preferência pela modalidade boulder, onde não se usa cordas e a queda é amparada por colchões. As paredes tem até cerca de 5 metros de altura e num ambiente competitivo é necessário que o atleta escale “rotas” de escalada que variam em dificuldade e estilo, tudo isso em um tempo curto.

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