Em busca do cinturão

Prata nos Jogos de Londres, o boxeador Esquiva Falcão traça planos até o título mundial dos médios.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
humberto@esportedefato.com.br

Entrevista com o boxeador Esquiva Falcão – Foto: divulgação

Aos 26 anos, Esquiva Falcão se prepara para mais uma luta. Medalhista de prata nos Jogos de Londres, em 2012, está há três anos no boxe profissional – por isso, desistiu de participar das Olimpíadas do Rio.

O boxeador capixaba está invicto nos 15 combates profissionais que disputou até agora – foram 12 nocautes. Em outubro, bateu o mexicano Josué Obando no sétimo round, por nocaute técnico. Volta ao ringue no dia 2 de dezembro, em Fresno, na Califórnia, contra o norte-americano Gerardo Ibarra. “Temos planos de disputar o cinturão mundial até na metade do ano 2018. Até lá, estarei com um cartel de mais de 20 lutas e com bastante experiência no boxe profissional”, avisa o lutador da categoria peso médio, até 72,5 kg, que é contratado da promotora de boxe norte-americana Top Rank e mora em Las Vegas.

Esquiva é irmão de Yamaguchi Falcão – medalha de bronze da categoria meio-pesado nos Jogos de Londres – e filho do ex-pugilista Adegard Câmara Florentino, conhecido como “Touro Moreno”. Foi do pai a ideia de batizá-lo com um nome tão incomum. Seria uma forma de driblar a regra que proíbe os treinadores de dar instruções durante as lutas e mandar o filho esquivar-se quando quisesse. “Poderia alegar que estava apenas dizendo meu nome”, diverte-se Esquiva, que pretende fazer sua primeira luta no Brasil como profissional no ano que vem.

Esporte de Fato – Como se iniciou no boxe?
Esquiva Falcão – Meu pai me ensinou tudo no quintal de casa – os primeiros passos, os primeiros golpes. Depois fui para São Paulo, treinar em São Caetano do Sul. Fiquei seis meses e depois voltei para casa do meu pai, no Espírito Santo. Eu treinava em um quintal e socava uma bananeira – não tinha saco de pancada, pois era muito caro. Em 2007, recebi uma ligação do Raff Giglio, me convidando para treinar no projeto dele no Rio de Janeiro, o Todos na Luta. Ele me colocou para morar em um quarto nos fundos da academia dele. Minha cama era uma pilha dos colchonetes da academia. Fiquei lá quase dois anos, até que disputei o campeonato brasileiro e consegui uma vaga na seleção brasileira. Lá, fiz várias viagens internacionais e nacionais. Em alguns eventos era campeão, outros não, mas sempre me destacava. Até que fui para o Mundial, fiquei em terceiro lugar e consegui a vaga olímpica. O plano era simples: pegar uma medalha olímpica, independente de qual cor fosse. Acabei levando a de prata.

Esporte de Fato Como foi a decisão de partir para o boxe profissional?
Esquiva Falcão – Depois que eu ganhei a medalha olímpica em Londres, muitas portas se abriram pra mim, especialmente para o boxe profissional. Muitas empresas americanas me procuraram para conversar. Eu já tinha feito de tudo no boxe amador, participei de todos campeonatos, Brasileiro, Mundial, Sul-americano, Campeonato das Américas, Campeonato na Europa e vários outros. Assim, era o momento certo de passar para o boxe profissional.

Esporte de Fato O fato das Olimpíadas de 2016 serem no Rio de Janeiro não “balançou” essa decisão de se profissionalizar?
Esquiva Falcão –Ter a chance de disputar as Olimpíadas no Brasil, é claro, conta muito. Mas eu estava focado em passar para o boxe profissional. Então, eu passei com a cabeça tranquila e sem arrependimentos. Fiz no momento certo.

Esporte de Fato – O que achou do boxe brasileiro nas Olimpíadas do Rio?
Esquiva Falcão – Acompanhei algumas lutas do Brasil. A equipe estava bastante preparada. Eu acreditava em duas ou três medalhas para o país, mas boxe é bastante difícil. Conseguimos uma de ouro, com o Robson Conceição. Tinham muitos meninos novos na equipe, mas estavam bem confiantes e soltos. Acredito que esse time vai dar muitos frutos no futuro.

Esporte de Fato – Como vê a chegada do campeão olímpico Robson Conceição ao boxe profissional?
Esquiva Falcão – Uma chegada muito boa e positiva para o boxe profissional. É sempre bom receber grandes talentos, especialmente do Brasil, e o Robson vem pra somar. Tenho certeza que ele vai brilhar muito no boxe profissional e ajudar colocar o Brasil no topo.

Esporte de Fato – Como acredita que o boxe possa se desenvolver ainda mais no Brasil?
Esquiva Falcão – O boxe brasileiro precisa de um ídolo para crescer, motivar jovens e mesmo adultos. Estou fazendo a minha parte, mostrando a cada luta que eu tenho chances de ser campeão mundial. E, quem sabe, até ser esse ídolo que a modalidade precisa no nosso país.

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