Fafá de Belém

A Wave conversou com Fafá antes de seu primeiro show no Canadá.

Por Dolores Gotijo

Sentada a minha frente uma mulher bonita e fresca. Após mais de 40 anos de profissão é ela uma jovem risonha. Inverga uma calça preta de algum material sintético e uma blusa leve com estampa em preto e branco.

À vontade ela começa a fala pelos ancestrais. Seguindo a história de Portugal ao Brasil, caminha pelas ribeiras e se emociona ao falar dos locais onde se recordou dos avós lusitanos. Emoção aflorada engole o choro e pede água gelada.

Photo: CMC

Já era de Nossa Senhora de Fátima antes de nascer, promessa do pai quando criança e cumprida ao batizá-la Maria de Fátima. Tem na porta de casa pintada a imagem Dela. A fé e religiosidade ultrapassam as barreiras e ela se sente uma privilegiada por várias vezes o vaticano a ter escolhido para cantar nas celebrações com os Papas em vários países. ‘Sou Mariana, devota de Nossa Senhora’.

Sua trajetória musical desde o início embala as lembranças de nomes famosos de seu Pará, a miscigenação, português, índio, caboclo, do qual fala com entusiasmo, entrecortando as falas com sonoras gargalhadas tão peculiares a essa moça de Belém.

Com a música “Filho da Bahia”, de Walter Queiroz, Fafá inaugura seu caminho em 1975, quando a música gravada por ela fazia parte da trilha sonora da novela Gabriela. Primeira a cantar sertanejo, lambada, boi bumbá ela também cantou Chico Buarque com sensualidade única e ousou quando foi incentivada a gravar fados, e mesmo sem ser fadista agradou a todos com sua interpretação profunda do estilo tão Lisboeta.

‘Porque nada me emocionava’, assim ela explica a razão pela qual esteve 10 anos fora das gravadoras. Propostas das quais não gostava e o não querer requentar sucessos. Até que ouviu a música Meu coração é Brega, a partir daí indentificou a sonoridade pela qual andava procurando. Uma música feminina, de mulheres que pintam a boca de vermelho, com cheiro de manga e vestem vestidos estampados. Sonoridade das rádios da terra natal e assim foi delineando o repertório para o show dos 40 anos de carreira.

Photo: CMC

Conversando com um amigo, dono da Jóia Moderna pequena gravadora, surgiu a idéia de um cd. Fafá passou até a amar estúdio, o que anteriormente odiava, e o trabalho ficou pronto em tempo record, 4 dias.  O repertório deu uma refrescada e reune um público jovem, a música Asfalto Amarelo que abre o cd “Do Tamanho Certo para o meu Sorriso”, é uma composição de Manoel Cordeiro / Felipe Cordeiro e a letra é de Zeca Baleiro, que segundo  Fafá, tem um caminhar que conduz a uma viagem por todo Pará.

Com jeito informal e acolhedor a conversa fluiu ao leve rítmo de sua fala, só fiz ouvir encantada.

Sensual, bela e risonha é a Fafá de Belém que emociona e seduz a todos nós.

Tags: , , , , , , , , , , , ,

Comments are closed.