Filme com Glória Pires estreia no ReelWorld em Toronto

A Wave entrevistou Roberto Berliner, o diretor de “Nise – O Coração da Loucura”, filme que será exibido no festival nesta quinta-feira, 13 de outubro, às 9pm, no Studio Theatre, no Harbourfront, com a presença do diretor.

Roberto e Glória Pires

Roberto e Glória Pires

Ao voltar a trabalhar em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro, após sair da prisão, a doutora Nise da Silveira (Gloria Pires) propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia, eliminando o eletrochoque e lobotomia. Seus colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam, restando a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.

nise-gloria-piresEsta é a sinopse de “Nise – No Coração da Loucura”, dirigido por Berliner. O diretor conheceu a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999) na década de 80. Esse encontro definitivamente afetou a vida dele, tanto que um recorte da história dela chegou às telas pelo olhar  do cineasta.

A abordagem cinematográfica deu a Berliner o prêmio de melhor filme no Festival de Tóquio, em 2015, e de melhor filme de ficção pelo júri popular no Festival do Rio. Gloria Pires recebeu o prêmio de melhor atriz na premiação japonesa.

Wave – Esta é sua primeira vez em Toronto?
Berliner – Sim. Estive em Montreal há vinte anos no festival de jazz, mas em Toronto é a primeira vez.

Wave – O que significa pra ter um filme em festivais internacionais?
Berliner – É a etapa final do filme. Fundamental pra nós que fazemos cinema porque é nos festivais que a gente mostra os filmes pra quem realmente gosta e pra quem trabalha com isso. Os festivais possibilitam essa troca. O público em geral levanta questões importantes e diferentes em cada lugar. Além do mais ainda podemos ver filmes que não costumam chegar ao circuito comercial no Rio e, por fim, mas tão importante quanto tudo isso, nos leva a conhecer lugares, costumes e pessoas diferentes e eu adoro isso. Muitas vezes é nos festivais que começam novos projetos.

Wave – Qual foi o maior desafio na produção de Nise?
Berliner – Foram muitos, mas o primeiro grande desafio foi o roteiro. Estava diante de uma personagem muito grande e importante porém desconhecida do grande público. A vida da Nise foi muito rica e significativa desde a infância até a morte aos 95 anos num hospital público, ainda ativa. Quebramos a cabeça, trilhamos caminhos diferentes até chegar no roteiro final que se concentra em um momento específico da vida dela: quando volta ao hospital depois de 8 anos  afastada por problemas políticos (Nise ficou presa por 2 anos e depois passou mais 6 exilada, escondida).

Wave – Como foi trabalhar com a Glória Pires? Como surgiu a idéia de Glória fazer o papel de Nise?
Berliner – Foi uma experiência especial. A Gloria é muito mais que uma grande atriz, é uma pessoa muito especial. Trabalhar com ela é fácil porque ela se entrega de corpo e alma, é fácil porque ela se integra com equipe com muita facilidade, ela não só atua como dá espaço pros outros atores atuarem. Mas também é difícil porque questiona apaixonadamente cada passo da personagem e da história e me faz pensar e repensar o que fazer o tempo todo. Nossa jornada foi de uma felicidade rara e a Gloria foi muito responsável por isso. Mas tive muita sorte porque a equipe e o elenco eram fabulosos. Confesso que não foi só sorte, escolhi cada um a dedo e o filme tem as digitais de todos eles impressas no resultado final. Somos até hoje um grupo muito unido. Criamos laços de amor pra sempre.

Wave – Qual a cena do filme que mais te marcou?
Berliner – Muito difícil responder a essa pergunta. Amo cada frame do filme e amo muitas cenas que tive que tirar na montagem.

Wave – O que público canadense pode esperar de Nise?
Berliner – Acho que o filme dialoga muito bem com as plateias. O filme já foi pra muitos festivais mundo afora e Brasil adentro. Acho que a razão, a emoção, a arte e a loucura estão na tela.

Wave – Existe algo que você gostaria de acrescentar?
Berliner – É preciso amor pra fazer as coisas. O trabalho da Nise começa com o afeto. Ela olha pra todos da mesma forma. As riquezas do mundo estão em lugares insuspeitados. É preciso olhar pras pessoas com menos preconceito.

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