Guilherme Santana

Os olhos de Jerusa Geber Santos.

por Maya Gasparoto

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O atletismo faz parte dos Jogos Paralímpicos desde sua primeira edição, em Roma, em 1960. Dependendo do grau de deficiência visual o atleta pode ser acompanhado por um atleta-guia nas provas. Os dois são ligados por uma cordinha e o guia não pode puxá-lo, apenas deve orientá-lo.  Mesmo sendo de extrema importância, o guia passou a receber medalhas apenas a partir dos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, em 2011.

Em novembro de 2015, Guilherme Santana e Terezinha Guilhermina encerraram uma parceria de 5 anos que resultou em 3 medalhas paralímpicas, 9 mundiais, 7 parapan-americanas, mais de 20 internacionais e cerca de 60 nacionais. Nesse mesmo dia foi convidado para trabalhar com Jerusa Geber Santos. Santana correrá ao lado de Geber nos 100 metros T11 dos Jogos Paralímpicos do Rio.

Confira a entrevista com o atleta-guia Guilherme Santana especialmente para a última edição  sobre a Rio 2016 da Revista Wave:

Wave – Para começar, gostaria que comentasse sobre seu primeiro contato com o esporte.
Guilherme: Meu pai sempre nos incentivou a fazer alguma coisa. Quando pequeno tentei jogar futsal mas não deu certo. Quando fiz 8 anos meu pai me deu uma luva de boxe mas eu não me adaptei. Com o incentivo do meu irmão, fui jogar futebol. Como era muito ruim na linha, eu fui para o gol. No primeiro dia de treino eu tomei todos os tipos de gol, mas com o tempo fui melhorando. Em seguida comecei a treinar basquete, mas não era muito bom. As pessoas me perguntavam ‘Por que você não vai para o atletismo? Você corre mais na quadra do que faz cesta’. Descobri o atletismo quando estava na faculdade (Guilherme estudou educação física na Unicesumar em Maringá, Paraná, Brasil).  Entrei para o time da cidade em 2006 onde permaneci até conhecer a Terezinha, em 2010.

Eu gosto de trabalhar com o lúdico, estou sempre cantando, invento umas músicas na hora e conto umas piadinhas.

Wave – Como e quando começou seu trabalho com a Jerusa?
Guilherme: Quem guiava a Jerusa era o marido. Eles me fizeram a proposta de guiá-la em novembro de 2015. Quando começamos a trabalhar juntos ela estava meio desanimada porque achava que iria ficar de fora das Paralimpíadas. Ela estava entre a 5ª e 6ª do mundo e 6ª e 7ª no Brasil. Apenas as 3 primeiras do Brasil seriam qualificadas. Treinamos bastante e eu sempre dei muita motivação a ela. Eu gosto de trabalhar com o lúdico, estou sempre cantando, invento umas músicas na hora e conto umas piadinhas.

Wave – Dia 19 de Julho saiu a convocação para os Jogos do Rio. Qual foi a sensação de saber que vai participar desse momento histórico no esporte brasileiro e mundial?
Guilherme: Por mais que a gente soubesse pelas marcas que ela seria convocada, ainda dava aquele frio na barriga. Quando vimos o nome na listagem ficamos muito feliz. Falei com ela ‘O pior já passou, agora que venha a melhor parte’.

Wave – Você participou dos Jogos Paralímpicos em Londres, do Parapan em Toronto e do Mundial no ano passado. É diferente competir no próprio pais?
Guilherme: Os Jogos Paralímpicos são muito diferentes do Parapan e do Mundial. É um momento único para o atleta. A gente trabalha 4 anos para conquistar uma vaga e é muito gratificante ver que você está dentro.

Wave – Mas você acha que será ainda mais especial por ser “dentro de casa”?
Guilherme: A única vez que participei das Paralimpíadas foi em Londres e acho que lá há um diferencial em relação ao Brasil. Os ingleses abraçam todos os esportes. Brasileiro gosta muito de futebol e acaba esquecendo dos outros esportes. Espero que com as Olimpíadas e Paralimpíadas no Brasil a população abrace mais o esporte e participe mais. O bom daqui é que a gente vai entender melhor, a gritaria vai ser mais para o Brasil. Isso dá aquele empurrãozinho a mais e vai fazer muita diferença para nós atletas.

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