Dan Jackson

O diretor/produtor Dan Jackson é um linguista, escritor e guitarrista clássico autraliano.

Por Christian Pedersen

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In the Shadow of the HIll é seu primeiro documentário e teve sua estréia mundial este ano na edição do festival Hot Docs, em Toronto.

ShadowoftheHill_Press_13O documentário coloca os holofotes no espírito de solidariedade e resiliência dos moradores da Rocinha, a maior favela do Brasil – onde o desaparecimento de um homem estimulou um movimento inspirador contra a implacável opressão do estado. A campanha “Onde está Amarildo?” mobilizou a comunidade depois que o pedreiro desapareceu ao ser abordado e levado pela polícia. A suspeita é que ao ser confundido com um traficante, Amarildo de Souza tenha sido morto e torturado pelos policiais que desapareceram com o corpo.

Utilizando um curioso movimento de câmera, intercalado com relatos pessoais espontâneos, Jackson explora as muitas transgressões chocantes que ligam o batalhão de elite da polícia do Rio com desaparecimentos suspeitos e violações dos direitos humanos, em um sistema político falho que criminaliza a pobreza.

Dan conversou com Wave sobre a sua experiência no Rio e sobre a filmagem de seu primeiro documentário.

Wave – Como foi que você se envolveu com um documentário sobre a corrupção no Brasil?
Jackson: Eu estava trabalhando em um estúdio de produção comercial de televisão em Sydney, Austrália e logo percebi que dirigir anúncios de TV não era a minha paixão. Deixei o meu emprego e decidi  viajar pela América do Sul de carro. Eu levei uma mochila cheia de equipamentos de filmagem comigo, com a ideia de fazer pequenos documentários. Eu sempre me interessei pelas favelas do Rio. Isso começou quando assisti a filmes como “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”. Dirigimos de Buenos Aires para o Rio e fiz contato com um morador da maior favela do Rio – a Rocinha. Eu o conheci numa tarde e à noite, eu já tinha encontrado um lugar para me hospedar na favela. Isso foi há quatro anos. Desde então, eu voltei ao Rio em seis ocasiões e vivi dentro da Rocinha por um período cumulativo de mais de um ano.

Wave – Você já havia estado no Brasil antes de filmar In the Shadow of the Hill?
Jackson: Foi a minha primeira vez no Brasil, quando eu comecei a filmar meu documentário. Eu imediatamente me senti em casa, pois encontrei algumas semelhanças bem fortes entre o temperamento dos australianos e dos brasileiros. Agora, sempre que eu volto para o Rio, sinto como se estivesse voltando para casa.

Wave – Quais foram os desafios para a produção de um filme como esse?
Jackson: Em primeiro lugar, a barreira da língua: eu fazia as entrevistas e mal entendia as respostas dadas e então ia para casa e assistia as sequências várias e várias vezes tentando compreender o que havia sido dito. Por conta disso, eu tive que aprender português muito rapidamente e hoje tenho o prazer de dizer que falo fluentemente.

Outro desafio foi ganhar a confiança dos moradores. Eles têm sido explorados e marginalizados por tanto tempo pela mídia corporativa brasileira, que desconfiam de qualquer pessoa com uma câmera. Demorou alguns meses convivendo lá, fazendo amizades e me tornando parte da comunidade até que os moradores vissem que eu estava fazendo algo diferente das estações de televisão locais. Depois que as pessoas passaram  a confiar em mim, o acesso à comunidade realmente se abriu.

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Wave – Você teve algum medo antes e durante a realização do filme?
Jackson: Eu tive duas armas apontadas para minha cabeça por alguns traficantes que pensaram que eu estava tentando filmá-los secretamente, mas depois eles descobriram que eu não queria prejudicá-los e imediatamente pediram desculpas. Até me ofereceram um churrasco  e uma cerveja.

Apesar de ter passado por algumas situações razoavelmente assustadoras enquanto vivia na Rocinha, eu diria que na grande maioria do tempo eu me senti seguro, em casa e muito confortável vivendo na comunidade.

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