Tempo de levantar

Entrevista com a levantadora Dani Lins, campeã olímpica nos Jogos Londres-2012 e titular da seleção brasileira feminina de vôlei.

por Luiz Humberto Monteiro Pereira
jogoscariocas@gmail.com
Fotos: Divulgação/CBV 

A levantadora Dani Lins é um elemento-chave no sonho do tricampeonato olímpico do vôlei feminino brasileiro.

A levantadora Dani Lins é um elemento-chave no sonho do tricampeonato olímpico do vôlei feminino brasileiro.

Nos Jogos de Londres, em 2012, a seleção brasileira de vôlei feminino chegou um tanto desacreditada para tentar a conquista do bicampeonato olímpico. Impressão que parecia se confirmar na primeira fase da competição – o Brasil se classificou para as quartas de final como último colocado do grupo B. Foi quando a levantadora pernambucana Dani Lins assumiu a posição de titular. E ajudou a mudar a cara do time, que passou fácil pelo Japão das semifinais e derrotou os Estados Unidos na final. A partir dali, tornou-se titular absoluta, virou capitã do time e passou a ser considerada uma das melhores levantadoras do mundo. “De 2012 pra cá, amadureci como mulher e como jogadora. Hoje estou mais firme e mais líder”, assegura Dani que, aos 31 anos, é jogadora do Vôlei Nestlé, de Osasco.

Em junho desse ano, numa competição que é uma espécie de “prévia” das Olimpíadas, o Brasil conquistou o Grand Prix de 2016. Na final, disputada na Tailândia, o time dirigido pelo técnico José Roberto Guimarães superou os Estados Unidos por 3 sets a 2. “O Grand Prix foi uma excelente oportunidade para o grupo pegar um ritmo de campeonato antes dos Jogos Olímpicos”, acredita a atleta de 1,83 m e 73 kg, que desde dezembro de 2015 é casada com Sidão, central da seleção brasileira masculina e do Sesi/SP – que, em virtude de uma contusão no ombro, foi cortado e não estará nas Olimpíadas do Rio.

Jogos Cariocas – Como o vôlei surgiu na sua vida?
Dani Lins – Comecei jogando vôlei no Recife. Fazia natação. Não queria jogar vôlei, mas ganhei uma bolsa de estudos em um colégio particular, que o técnico conseguiu para mim porque eu era alta. Praticamente fui obrigada a jogar… Meu técnico insistiu muito, me buscava em casa porque eu não queria treinar, e minha mãe também me deu força, porque estudar em um bom colégio é difícil. Tive que largar a natação porque não havia como conciliar com os treinos de vôlei. Deu certo.

Jogos Cariocas – E como foi a transição para o vôlei profissional?
Dani Lins – A minha família sempre foi ligada ao esporte e me apoiou todo o tempo. Mas, quando eu saí do Recife, com 15 anos, e fui para uma cidade grande como São Paulo jogar no BCN, minha família teve medo. Foi uma questão de adaptação. Em 2004, tive uma arritmia cardíaca que botou um pouco em risco a minha carreira. Fiquei seis meses parada, porém depois de muitos exames consegui voltar a jogar vôlei profissionalmente e pude seguir a minha carreira, que era o que eu mais queria. No início eu era atacante. Só que eu não tinha muita habilidade e o meu técnico insistiu para que eu jogasse como levantadora. Passei pelo Pinheiros, Rexona/Ades, Rio de Janeiro e Sesi/SP, até chegar o Vôlei Nestlé, de Osasco, onde estou desde 2014.

Jogos Cariocas – Quais são as características específicas das levantadoras em relação às outras posições do vôlei?
Dani Lins – O segredo da posição é ter paciência, calma. É preciso estar pensando durante a partida inteira. O jogo passa sempre pela minha mão, então tenho de estar o tempo todo concentrada.

Jogos Cariocas – Como é a sua rotina diária de treinos, num dia comum?
Dani Lins – Vou para a minha terceira temporada consecutiva no Vôlei Nestlé, de Osasco. A rotina é bem intensa. Acordo, tomo café, treino com bola, faço musculação, almoço e descanso à tarde para voltar a treinar à noite. É sempre essa mesma rotina e com pouco tempo de descanso. E muita gente acha que é uma vida fácil, de viagens. Ninguém conhece a nossa rotina direito. Mas a gente se acostuma. Faço isso já há praticamente 16 anos.

Jogos Cariocas – Como estão as chances do vôlei feminino do Brasil nas Olimpíadas?
Dani Lins – Estamos indo para o inédito tricampeonato olímpico e as expectativas são 100% boas. Sabemos que todos estão se preparando muito bem para essa Olimpíada. A China e os Estados Unidos, que vêm com um jogo rápido, deverão ser nossos principais adversários.

Jogos Cariocas – O fato de estar em casa pode representar uma vantagem para os atletas brasileiros?
Dani Lins – A cobrança sempre vai existir porque o brasileiro quer ver o país vencedor, no pódio, com medalha, independente da modalidade. Mas não estamos vendo isso como pressão de que temos que conquistar a medalha de ouro. Estamos encarando pelo lado positivo de que vamos jogar em casa, com toda torcida nos apoiando. Isso vai ser muito bom.

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