Brasileiro rouba a cena no clássico “Quebra Nozes”

Gustavo Ribeiro, único bailarino brasileiro do Alberta Ballet, é exemplo de coragem e determinação.

por Flávia Berredo de Menezes

image4A realização dos sonhos estimulada pela vontade de ganhar o mundo, trouxe ao Canadá um capixaba que é exemplo de coragem e determinação. Gustavo Ribeiro tem 20 anos e ingressou no ballet clássico aos 12, no estúdio de dança Expressão e Arte, em Cariacica no Espírito Santo. Na época, o menino que mal se alimentava buscou na dança o amparo a uma vida melhor, e os instrutores do estúdio ajudaram-no através do ballet.

Incontáveis foram os comentários desmotivadores que aconselhavam Gustavo a “colocar os pés no chão”, porém estes foram os empurrões que garantiram ao jovem que cresceu em extrema pobreza e miséria, uma riqueza de valores motivacionais a conquistar um contrato concorridíssimo de dois anos, atuando como dançarino de destaque na peça o Quebra Nozes pelo Alberta Ballet. A segunda maior companhia de ballet canadense é conhecida em todo o mundo devido às produções clássicas e contemporâneas que envolvem seu repertório.

A carreira internacional do bailarino começou aos 16 anos, quando Ribeiro foi selecionado para competir nas finais da “Youth American Grand Prix” em Nova York – a maior rede global para estudantes de ballet do mundo. Nessa disputa entre bailarinos renomados, o brasileiro recebeu um contrato para integrar o Orlando Ballet II.

image5Em 2014 Gustavo entrou no The Washington Ballet Company, onde atuou em muitas produções como O Quebra-Nozes, Sleepy Hollow, O Lago dos Cisnes, Alice no País das Maravilhas e A Bela Adormecida. “Quando me mudei para os Estados Unidos eu sabia que poderia ter um futuro de conquistas e realizações”, menciona o jovem que recebeu inúmeros convites para atuar em diversos papéis notórios em peças de Alberta, além de ingressar em várias companhias de ballet e universidades de dança nos Estados Unidos e da Europa.

Todavia, o coração do brasileiro foi conquistado pelo Canadá quando, na segunda semana de Janeiro de 2015, Gustavo concorreu com aproximadamente 300 bailarinos do mundo inteiro em uma audição aberta, também em Nova York, para disputar apenas duas vagas no Alberta Ballet.

Além de ter conquistado uma delas, o jovem também se tornou o bailarino mais novo da companhia, fato que o impulsiona ainda mais a superar qualquer obstáculo em solo canadense. “Por já ter passado e vencido todos os desafios possíveis como o do idioma, adaptação, cultura e o financeiro nos Estados Unidos, acredito que meu maior desafio aqui no Canadá é provar que sou um profissional preparado e maduro, independente a minha idade. Devido à minha condição financeira no Brasil, perdi as contas de quantas pessoas me disseram para parar de sonhar, e acordar para realidade na qual eu vivia. Costumavam dizer que a dança nunca me levaria a lugar algum. Hoje, olhando para trás, vejo o quão longe eu já cheguei com apenas 20 anos de idade. É extremamente gratificante ter conquistador o meu posto tão sonhado, porém duvidado por muitos ao longo do caminho”, lembra.

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