Psiquiatra Benício Frey fala sobre Transtorno Bipolar

O psiquiatra Benício Frey, do Rio Grande do Sul, desenvolve pesquisas no Canadá sobre TB – Transtorno Bipolar.

por Marta Almeida

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Muito se fala e pouco se sabe realmente sobre o transtorno bipolar. Um problema emocional associado às variações drásticas de humor com picos de extrema alegria e de tristeza. Uma verdadeira montanha russa de emoções que pode ter consequências graves se não houver acompanhamento profissional.

Mestre em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o psiquiatra gaúcho Benício Frey, que é professor associado do Departamento de Psiquiatria e Neurociências do Comportamento e chefe do Programa de Transtornos do Humor da Universidade McMaster em Hamilton no Canadá, participou de uma pesquisa sobre imagens do cérebro em pacientes com transtorno bipolar na Universidade de San Antônio no Texas (EUA) e é especialista no assunto.

Wave: De uma forma bem simples, o que é o transtorno bipolar?
Benício: O transtorno bipolar é um problema emocional que está associado com variações drásticas de humor. Na maior parte do tempo as pessoas se sentem deprimidas, tristes, pra baixo, sem interesses, sem motivacao e em determinados períodos da vida, elas vão estar sentindo completamente o oposto disto. Uma felicidade intensa, sem muitos motivos, agitação, o sono diminui porque a pessoa vai ter tanta energia que sente que nao vai precisar dormir tanto e o pensamento vai estar mais acelerado. Às vezes este transtorno está associado com comportamentos mais impulsivos e a pessoa depois quando volta ao normal tende a se arrepender.

Wave: Existe predisposição?
Benício: Sim, o transtorno bipolar é bastante associado à parte genética, então na maior parte dos casos, a gente identifica alguém na família que sofre de TB ou algum tipo de transtorno de humor, como depressão. O histórico familliar é um fator de risco muito importante e na mulher a história de traumas colabora para o desenvolvimento de TB e depressão, coisas como abuso sexual ou físico.

Wave: Atinge qualquer faixa etária, até mesmo crianças?
Benício: De 25 a 30% dos casos de TB, iniciam ainda na infância, antes da puberdade. Mas a maior parte dos casos, a grande maioria está na adolescência e o início da idade adulta.

Wave: Quais são os tratamentos mais eficientes, há cura?
Benício: Não, a medicina ainda não está avançada ao ponto de poder dizer que uma pessoa vai se curar de TB. O tratamento hoje em dia se baseia essencialmente em medicamentos chamados de estabilizadores do humor, que controlam a doença, fazem a pessoa passar mais tempo da vida se sentindo bem.

Wave: Como as pessoas que estão em volta, amigos, parentes, podem ajudar?
Benício: No meu ponto de vista, o principal é apoiar a pessoa. Não julgar pelas ações dela, quando ela está deprimida ou eufórica. Acompanhar de perto e incentivar a pessoa manter o tratamento, que é diário e a longo prazo com medicamentos, incentivando também a participação em programas de psicopterapia que ajudam muito e estão disponíveis em vários centros de saúde.

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