Cine Monstro usa humor “tarantinesco” para um mergulho nas relações humanas

por Marcelo Paolinelli

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Creditos das fotos: Nathalie Melot

Um humor sensacional, que “tira o chão” de espectadores e personagens. Esse foi um dos elementos que mais atraiu a atenção do ator e diretor Enrique Diaz para adaptar no Brasil a obra do dramaturgo canadense Daniel MacIvor. Agora, a platéia de Toronto tem a chance inédita de conferir esse humor que Diaz chama de “tarantinesco” (de Quentin Tarantino) no espetáculo Cine Monstro, no qual ele se desdobra no palco para dar vida a uma série de personagens criados por MacIvor.
A peça estará em cartaz no Theatre Centre (1115 Queen St W) entre os dias 12 e 14 de fevereiro dentro da programação inaugural do Festival Progress (http://thisisprogress.ca/). O monólogo, dirigido e interpretado por Diaz, será encenado em Toronto em português com legendas em inglês.
Enrique Diaz é conhecido por seus trabalhos em filmes como Casa de Areia e Carandiru, e na televisão por novelas como Pantanal, Cordel Encantado e Cheia Charme, além das minisséries O Auto da Compadecida e A Muralha.
Ele conta que conheceu o trabalho de MacIvor ao assistir a peça In On It, em Nova York. A sintonia com o premiado autor canadense foi imediata e rendeu uma trilogia baseada na obra de MacIvor, com In On It (2010), À Primeira Vista (2012) e por último, Cine Monstro.
A trama de Cine Monstro mescla crueldade, violência, humor e ironia. Nela, Diaz vive 13 personagens bem distintos, como um rapaz que conta a história do vizinho que assassina o pai e o corta em pedaços no sótão da casa, e um cineasta que nunca completou seu filme épico.
O diretor diz que humor é bastante presente em algumas apresentações, em outras ela fica mais dramática, e seu aspecto filosófico e cruel se destaca mais. No Canadá, ele acredita que o humor não fique tão evidente, por causa da questão da legenda que distancia um pouco o espectador do ator.
Diaz destaca outras qualidades na escrita de Daniel MacIvor, além do humor. “É um jogo de carpintaria teatral muito sofisticado e muito baseado no ator; um olhar complexo e profundo sobre o mundo dos afetos; uma escrita muito teatral, mas que nitidamente denota o conhecimento de uma gramática e de uma cultura cinematográfica”.
Isso explica a opção pelo audiovisual na peça, que conta com projeções, efeitos sonoros e microfonia, numa associação com o cinema e em especial o gênero terror. A atualidade do espetáculo também é realçada por Enrique Diaz. “Acredito que a peça provoque reflexões muito propícias nos tempos atuais, quanto à violência inerente ao ser humano e quanto à qualidade das relações humanas que estabelecemos”, conclui.

* Marcelo Paolinelli é jornalista e cineasta

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