Nataline Rodrigues

Conheça a mulher à frente da programação original da empresa de comunicação e mídia Rogers.

Nataline Rodrigues, diretora de programação original da Rogers

Por Juliana Dalla

Independentemente do país, o mercado midiático ainda é dominado por homens, principalmente nos postos de chefia. Mas essa barreira de gênero não foi empecilho para fazer com que a luso-canadense Nataline Rodrigues conquistasse um dos cargos de maior prestígio da mídia do Canadá, o de diretora de programação original da empresa de comunicação e mídia Rogers.

Herança lusitana

Nascida em Toronto, Nataline é filha de portugueses, oriundos da vila Arcos de Valdevez, localizada na região Norte de Portugal. Mesmo longe do país natal, seus pais sempre fizeram questão de manter viva a herança lusitana no Canadá: “Eu não falo muito português diariamente, mas a língua portuguesa foi a primeira que eu aprendi… Em casa, ouvíamos rádio portuguesa, programas de TV e todos os tipos de música em português de Portugal, Brasil e Angola. Nos fins de semana, participávamos de eventos culturais portugueses e, no verão, a minha coisa favorita era ir de férias a Portugal”.

O cultivo da cultura lusitana no berço familiar e a íntima relação com as adversidades pelas quais passam todos os imigrantes fizeram com que Nataline aprendesse a respeitar e valorizar as diferenças culturais. “Minha herança luso-canadense me oferece uma perspectiva mais rica. Tenho uma mente mais aberta e respeito os diferentes pontos de vista”, revela.

Carreira na mídia

Nataline começou sua carreira dentro da mídia como estagiária de jornalismo. Seu trabalho árduo e sua forte ética profissional permitiram a ela alcançar postos de chefia em empresas conceituadas, como Canwest, CBC e, atualmente, Rogers. “Por ser canadense de primeira geração, com pais portugueses que vieram para cá em busca de uma vida melhor, houve uma pressão para estudar e ser bem-sucedida. Eu tive a sorte de ser incentivada a prosseguir com os estudos… Eu atuei em várias frentes quando comecei na profissão e estava disposta a fazer o que fosse preciso para entrar na área e fazer carreira”, explica Nataline.

Ela faz questão de dedicar muito de sua força e crença de que tudo é possível à sua mãe: “Eu cresci em uma empresa familiar, onde a minha mãe cuidava de uma mercearia que abastecia um pequeno bairro, que incluía a comunidade portuguesa. Ela era muito independente, perspicaz e ótima com os clientes; uma pessoa do povo e muito social. Ela me inspirou a ser uma mulher forte e confiante… Ela incutiu em mim um sentimento de confiança, de que eu poderia fazer qualquer coisa que eu colocasse em minha mente”.

Agruras e delícias da profissão

Para aqueles que não sabem o que faz um diretor de programação, Nataline revela um pouco do seu dia a dia: “O dia pode ser bastante agitado, por conta do volume necessário de leitura, escrita e reuniões. A gestão do tempo é fundamental, assim como uma boa xícara de café logo pela manhã, no meu caso, absolutamente necessário para me manter a todo vapor. O dia envolve responder a e-mails, satisfazer pedidos, participar de reuniões criativas e de negócios, ler sugestões e roteiros, assistir a edições de shows, fazer anotações, visitar sets de filmagem, rever audições de elenco, analisar currículos para contratação de equipe”. Segundo ela, tamanha responsabilidade oferece também recompensas, como a possibilidade de trabalhar com pessoas criativas, por em prática sua própria criatividade e explorar coisas diferentes a cada nova produção.

E para os jovens imigrantes que desejam seguir um caminho semelhante ao seu, Nataline diz que a experiência estrangeira oferece uma visão única de mundo, um diferencial para esses indivíduos. Ela comenta também sobre a importância de desenvolver habilidades sólidas de comunicação, bem como de estudar e perseverar. Conselhos de uma mulher que acreditou em si, ultrapassou barreiras e transformou sonhos em realidade.

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