Mafalda Silva

Criatividade vinda do além-mar.

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Mafalda Silva

Por Juliana Dalla

Desenhista, fotógrafa, designer de moda. Não há limites para a força criativa da portuguesa Mafalda Silva, que desponta no cenário cultural de Toronto como uma das mais talentosas artistas de nossa comunidade.

De que maneira a arte entrou na sua vida? Daria para falar um pouco sobre sua trajetória como artista, desde as primeiras obras até a decisão de tornar a arte sua profissão?
Mafalda Silva – Penso que seja genético, tive um tio pintor e dois primos arquitetos. Desde muito pequena, quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, eu respondia que queria ser desenhadora. Quando tinha 14 anos, uma de minhas professoras encontrou-me no refeitório e convenceu-me de que eu teria que ir estudar em uma escola especializada em artes. Fiz então o ensino secundário na Escola de Artes António Arroio, de onde saíram grandes artistas portugueses. Após esse curso, tirei uma Licenciatura em Design de Moda na Universidade Técnica de Lisboa. Foi sempre muito claro para mim estar ligada a uma profissão criativa.

Seus trabalhos artísticos vão desde criações para o mercado da moda quanto obras de arte que misturam diversos elementos midiáticos. O que levou você a se interessar pelas artes que misturam elementos e conceitos distintos?
Mafalda Silva – As minhas paixões sempre foram desenho, fotografia e moda. Após várias experiências com esses meios, pensei: por que não juntá-los todos numa só peça? E foi daí que me surgiu a ideia de desenhar imagens que não existiam originalmente nas minhas fotografias, e o modo de passá-las para as fotos é através de pespontos cosidos à mão.

Você se mudou de Portugal para o Canadá em 2006. Acredito que suas raízes lusitanas e sua experiência artística em Portugal têm certa influência sobre suas criações aqui no Canadá. Você poderia explicar de que forma as duas culturas, canadense e lusitana, transformam e diferenciam o seu trabalho?
Mafalda Silva – O meu trabalho tem sido baseado um pouco na minha experiência pessoal. Os meus temas andam à volta da imigração e como eu, imigrante, interpreto o Canadá com os meus olhos e sentimentos. A primeira coleção de arte que fiz foi com fotografias a preto e branco das maple leafs, que representavam o lado escuro e difícil do Canadá para mim, nos meus primeiros anos de vida no país. Sobre as fotografias, pespontei cores outonais, cores vibrantes que representavam as alegrias de viver coisas novas. Outro tema que também tenho desenvolvido é o das aves migratórias, com as quais me identifico. O movimento que os pássaros fazem de não estarem presos a um só sítio, para mim, é parecido com o das pessoas que imigram.

O que levou você a escolher o Canadá para fazer e difundir sua arte? Como foi o processo de adaptação, como imigrante e artista, à cultura canadense e ao circuito artístico do país? 
Mafalda Silva – O que me levou a vir para o Canadá foram razões pessoais. Penso que o Canadá é que me escolheu para difundir a minha arte. A minha experiência de me mudar para cá foi tão marcante que me fez exprimir mais através da arte. Sendo uma pessoa visual e criativa, foi um meio que encontrei de me definir. O circuito artístico em Toronto é mais forte do que em Lisboa. Existem várias feiras de arte no verão, vários festivais e muitas galerias. Isso ajudou bastante a minha integração.

Quais são os próximos voos profissionais que você pretende alçar no mundo das artes?
Mafalda Silva – 
Já consegui mostrar um pouco da minha arte em Nova York, numa exposição coletiva. Adoraria poder mostrar mais nos Estados Unidos. Gostaria também de voltar às raízes e mostrar a minha arte em Portugal e, quem sabe, também pela Europa.

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