Camila Cabete

Brasileira conquista espaço de prestígio no time editorial da Kobo.

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Camila Cabete em frente a sede da Kobo, em Toronto

Por Juliana Dalla

A editora canadense Kobo, uma das maiores publicadoras de livros digitais do mundo, desembarcou no Brasil em 2012. Em seu time brasileiro, está Camila Cabete, gerente sênior de relações editoriais.

A Wave + teve o prazer de conversar com Camila, que contou um pouco sobre seu percurso profissional e sobre as dores e delícias do mercado de livros digitais brasileiro.

Em meados de 2012, você assumiu o posto de gerente sênior de relações editoriais da Kobo Brasil. Antes disso, fez parte da equipe editorial da Gato Sabido, outra publicadora de livros digitais. O que levou você a construir uma carreira fundada no mercado digital de livros?
Camila Cabete – Em 2009, eu era editora. Gerenciava o setor editorial de uma tradicional editora de livros técnicos – conhecia o processo e gerenciava o livro do autor ao leitor. Amava o que fazia, mas, naquele ano, surgiu um aparelhinho chamado Kindle. Fiquei algumas noites sem dormir, achando que minha profissão terminaria. Mas o medo me fez cair de cabeça no assunto. Passei a estudar tudo o que se relacionava com livro digital. Assim, eu cheguei à Gato Sabido e passei a trabalhar somente com livro digital. O assunto é apaixonante, pois consegui juntar minha paixão (editar) com meu hobby (tecnologia). Sempre fui fã de tecnologia e gadgets e posso dizer que me encontrei.

Quais foram os maiores obstáculos enfrentados por você e seus parceiros editoriais para tornar a publicação de livros digitais uma realidade em um país como o Brasil, onde grande parte da população não tem acesso a plataformas digitais de leitura, como e-readers e tablets?
Camila Cabete – A maior dificuldade não é o fato de o Brasil ter dificuldades. Brasileiro ama tecnologia, e já temos mais smartphones no país do que celulares normais. Eu vi na publicação digital a solução para a distribuição de livros no Brasil. No mercado editorial, quem ganha dinheiro é a transportadora – os livros chegam aos lugares mais distantes da região sudeste pelo dobro do preço. Mas o medo do editor e os paradigmas foram os maiores obstáculos. No Brasil, livro sempre foi para os ricos. Os editores sempre foram muito elitistas e nunca precisavam se atualizar. Mas posso dizer que esta fase passou, e as editoras estão se esforçando e fazendo diferente da indústria fonográfica.

Recentemente, você esteve no Canadá, participando de um encontro promovido pela Kobo Internacional. O trabalho que a Kobo desenvolve no Canadá é muito diferente daquele desenvolvido no Brasil? 
Camila Cabete – Posso dizer que me sinto parte do time mesmo estando longe. Tenho reuniões diárias com meu time de content, que está espalhado pelo mundo. Nunca tinha trabalhado somente com estrangeiros. O inglês foi minha principal barreira, mas me acostumei. Não posso dizer que é natural para mim, mas como meu trabalho com clientes é somente com brasileiros, isso me ajuda. A Kobo é um empresa maravilhosa para se trabalhar. Meus chefes diretos são amigos, e me sinto muito segura. No Brasil, já somos 4, e o trabalho é o mesmo. Queremos manter o espírito Kobo em todos os países.

O que você acha que o mercado brasileiro de livros digitais tem a aprender com o mercado canadense?
Camila Cabete – Estamos aprendendo juntos. Mais do que o mercado de livros digitais, acho que precisamos aprender a ler. Precisamos nos espelhar no espaço que a literatura ocupa dentro da sociedade canadense. Historicamente, não somos leitores vorazes – o livro era caro, não chegava em lugares afastados e sempre foi instrumento elitista das classes dominantes. Isso está mudando e contamos com a ajuda da Kobo!

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