Ana Bailão

Figura ativa na Câmara de Toronto.

Ana Bailão

A vereadora luso-canadiana Ana Bailão é uma figura ativa na Câmara de Toronto, sempre prestes a defender os interesses dos moradores do bairro 18. Nesta entrevista à Wave +, a vereadora conta um pouco sobre sua história de vida, seu carinho pelos valores canadenses e de onde surgiu sua paixão pela política.

A senhora é portuguesa, natural de Vila Franca de Xira. Há muitos anos, porém, vive no Canadá. Quando e por que a senhora decidiu imigrar?
Ana Bailão – Não fui propriamente eu que decidi imigrar. Os meus pais chegaram ao Canadá em 1988 como visitantes, tendo depois decidido ficar. Quando legalizaram sua situação, eu e a minha irmã juntámo-nos a eles em 1991.

Quais foram os grandes desafios que a senhora teve de contornar durante sua fase de adaptação cultural no Canadá?
Ana Bailão – Uma adaptação nunca é fácil, particularmente para uma adolescente, como era o meu caso. Quando cheguei, não falava inglês. Tive de aprender a nova língua, assimilar uma nova cultura e fazer novas amizades. Com o passar do tempo, foi ficando mais fácil e os vários contactos que fui estabelecendo na escola e no trabalho ajudaram. Sempre conciliei os estudos com trabalho, mesmo durante o meu percurso universitário.

 Além de desafios, todo imigrante descobre novos valores e costumes ao experienciar a cultura do novo país. Como tais valores e costumes enriqueceram a senhora como ser humano e profissional?
Ana Bailão – O respeito que existe para com todas as crenças, raças e ideologias fascinou-me desde logo. É admirável esta harmonia que se consegue no meio de tantas culturas e formas de vida distintas. Os valores próprios da sociedade em que vivemos são uma mais-valia a nível pessoal e profissional, e eu tento aplicá-los sempre.

O que levou a senhora para a política? Poderia nos contar um pouco sobre essa trajetória? 
Ana Bailão – Como mencionei anteriormente, sempre conciliei o trabalho com os estudos. No último ano do curso na Universidade de Toronto, conheci o então vereador Mário Silva. O envolvimento que já tinha a nível comunitário, ajudou-me a conseguir um trabalho no seu gabinete da Câmara. Aí pude desenvolver uma paixão que já existia. Sempre vi a política como uma ferramenta, que nos permite prestar um serviço público e ajudar de várias formas. A política municipal dá-nos a oportunidade de estar mais próximos do quotidiano das pessoas. É a pensar nos moradores desta cidade, que através da política, colocamos em prática projetos que vão ao encontro de suas necessidades. O objetivo é sempre incrementar a qualidade de vida de quem tanto contribui com a sociedade.

 Das causas defendidas pela senhora dentro da Câmara de Toronto, quais conseguiram ser concretizadas e por qual delas a senhora tem um carinho especial?
Ana Bailão – Sou responsável pela pasta da habitação social, que é, sem dúvida, uma causa que me move. Acredito que há espaço para muitas melhorias nesta área. Devemos ter sempre presente que todos têm direito a uma habitação condigna. O trabalho que desenvolvemos em prol dos que recorrem à habitação social é feito a pensar no impacto que tem a outros níveis. Ao proporcionar uma boa estrutura habitacional, estamos indiretamente a contribuir para uma sociedade mais ativa, mais produtiva e mais segura.

A senhora tem voz ativa dentro da comunidade de língua portuguesa e procura estimular a participação de nossa comunidade em suas ações políticas. Qual a importância desse contato íntimo e constante com a comunidade para o desenvolvimento do seu trabalho como vereadora?
Ana Bailão – O meu desempenho só faz sentido com o envolvimento da comunidade do bairro 18. Nesse aspecto, os portugueses e luso-canadianos que vivem nesta área sempre me demonstraram um carinho especial e uma maior aproximação. Deixa-me feliz e serve de incentivo.

Quais são os novos desafios políticos da senhora e de que forma nossa comunidade pode ajudá-la a concretizar tais desafios?
Ana Bailão – Um dos maiores problemas que a cidade tem pela frente diz respeito ao trânsito e aos transportes públicos. É necessário acompanhar o crescimento populacional com um sistema de transportes e redes de trânsito eficazes e que contribuam para movimentar milhões de pessoas diariamente. Estou sempre aberta a ouvir as preocupações e sugestões dos moradores, para, consequentemente, poder elaborar estratégias e apresentar soluções.

A senhora gostaria de deixar um recado à comunidade de língua portuguesa, que acompanha seu trabalho com grande admiração e orgulho?
Ana Bailão – Gostaria de assegurar que quero continuar a ser uma voz ativa para todos os moradores que represento, e que quero ouvir opiniões, preocupações e sugestões para o bairro 18.

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