Empreendedorismo luso-canadiano

O sucesso dos empresários portugueses em Toronto.

Luís Pavão, dono de uma tradicional salsicharia portuguesa em Toronto

Por Marta Almeida

Desde que iniciaram o processo de imigração para o Canadá, ainda nos anos cinquenta, muitos portugueses trouxeram na bagagem o sonho de ter um negócio e ser o próprio patrão. Em Toronto, os empreendimentos se concentraram inicialmente no Kensington Market, área escolhida por muitos portugueses para morar. Com o passar dos anos, o comércio voltado para a comunidade portuguesa se expandiu para além da Dundas Street West, atingindo também a College, nascendo assim a Little Portugal. Hoje, com o crescimento da comunidade em outras áreas da cidade, é possível comprar de tudo um pouco, falando português, em regiões como da Dupont Street, Rogers Road e até mesmo fora de Toronto, como em Mississauga, onde existem várias empresas de origem portuguesa.

Rompendo barreiras

O nicho comercial voltado para a comunidade portuguesa trouxe para o Canadá produtos e serviços procurados pelos imigrantes. Há empresas em praticamente todos os seguimentos que são geridas por portugueses, algumas já na terceira ou quarta geração dos pioneiros. O Guia Comercial Português, publicado há 38 anos, é uma prova do empreendedorismo português em terras canadenses. São cerca de 300 páginas com telefones e endereços de empresas e profissionais liberais portugueses estabelecidos no Canadá. E não falta otimismo entre eles.  Luís Pavão, dono de uma tradicional salsicharia e talho português, chega a afirmar que a crise econômica recente não afetou muito o comércio voltado para a comunidade portuguesa em Toronto. “A comunidade portuguesa é muito trabalhadora, está com uma grande ligação na construção e este setor não baixou muito aqui”, afirma Pavão, cuja empresa foi fundada por seus avós ainda em Portugal. Hoje já são 4 lojas, com 70 funcionários e 45 produtos próprios, num total de 30 toneladas comercializadas por mês – crescimento que o empresário credita ao fato de que o foco atual é atender outras etnias.  Para ele, o comércio voltado apenas para os portugueses já teve sua fase áurea há 3 ou 4 décadas, e o segredo do sucesso hoje é abrir os horizontes: “Somos gratos à comunidade portuguesa, mas acredito que podemos levar nossas especialidade a outras comunidades. O importante é mostrar que nossos produtos são bons.”

 

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