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Mulheres de talento participaram do concurso dedicado ao que elas fazem de melhor – arte sequencial.

Por Daniela Karasawa

Os trabalhos de várias brasileiras foram enviados ao concurso e passaram pelo crivo carinhoso e, não menos imparcial, do Projeto Inverna, encabeçado pela quadrinista Paula Mastroberti, que falou com a Wave em janeiro.

A vencedora dessa edição foi Carol Martins, ilustradora de 25 anos, residente em Belo Horizonte, MG, com a tira Masks. A seguir, você confere uma entrevista exclusiva com a jovem que não tem paixão apenas pelo desenho, mas também pela escrita.

 Wave é uma revista voltada para os brasileiros que residem no Canadá. Você já visitou outras cidades do Brasil e do mundo?
Carol Martins: Viajei bastante, mas nunca para fora do país. Gosto muito de viajar, conhecer a história dos lugares e das pessoas; é uma boa forma de se inspirar e renovar as energias. Vou bastante ao Rio de Janeiro e, a cada visita, meu gosto pela cidade só aumenta. Adoro o clima, a animação dos cariocas, a arquitetura do centro e, principalmente, as praias.

 Como surgiu seu interesse pela literatura e pelas artes gráficas?
Carol Martins:Foi na infância, com os contos e as histórias desse universo. Nada me passava despercebido. Gostava de ouvir as histórias que meus pais liam e de observar as ilustrações dos livros. Aos 15 anos, comecei a ler os clássicos e me apaixonei. Na infância e na adolescência, meu interesse pela literatura era maior do que pelas artes gráficas.

 Qual foi o papel de sua família em suas escolhas artísticas?
Carol Martins: Venho de uma família que preza muito o estudo e a habilidade em se comunicar. Quando eu ainda era criança e não sabia escrever, pedia à minha mãe que anotasse minhas narrativas. Contar histórias era uma necessidade que foi aumentando com o passar dos anos. Com a produção gráfica foi o oposto – isso era visto como um hobby secundário.

 Fale sobre sua formação acadêmica e sobre sua trajetória profissional como ilustradora.
Carol Martins: Estudei Design de Moda por dois anos e acabei cursando Direito, por influência familiar, mas nunca me senti à vontade com a prática jurídica. Recentemente, resolvi fazer algo que realmente gosto e iniciar no mercado da ilustração. Não tenho nada definido, mas se eu puder contar histórias, os quadrinhos são o caminho.

 Como a sua formação acadêmica favorece sua visão de mundo sobre as artes gráficas?
Carol Martins: O maior benefício da minha perambulação acadêmica foi tomar contato com diferentes áreas do pensamento e unir tudo para formar uma visão inusitada sobre as coisas.

 Quais são suas principais influências em literatura e em artes gráficas?
Carol Martins: Na literatura é fácil: Oscar Wilde, Victor Hugo, Shakespeare, entre outros. Nas artes gráficas: Da Vinci, Caravaggio, Rembrandt, e, entre os recentes, Cyril Pedrosa, Rafael Coutinho e Ai Yazawa.

 Para a tira Masks, quais foram suas referências e influências?
Carol Martins: A inspiração veio dos quadrinhos de Daniel Clowes, que trabalha muito bem esse formato mais tradicional. O que me motivou foi a vontade de tentar algo novo.

 Como conheceu o concurso? Já recebeu outras premiações?
Carol Martins: Conheci o Lady’s Comics e vi o anúncio do concurso. Foi a primeira vez que participei e ganhei.

 Qual é a sua mensagem para as mulheres que desejam produzir quadrinhos e textos como você?
Carol Martins: O mercado de quadrinhos é majoritariamente masculino, mas penso que isso não impede as mulheres de produzirem histórias interessantes e que sejam rentáveis.Pode ser assustador à primeira vista, mas se você gosta de desenhar e tem vontade de produzir, vá em frente!

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