Defrosting Women

Concurso de Tirinhas Femininas Promete Esquentar o Inverno.

 

Tirinha de Thaïs Gualberto

Arte sequencial, comic, gibi, HQ, quadrinhos – a arte de contar histórias através de uma sequência de imagens atende a diversos nomes. Mas embora o mercado de quadrinhos abrace uma pluralidade de terminologias e gêneros de publicação, as mulheres continuam excluídas de uma grande fatia desse mercado, principalmente no Ocidente.

Na opinião da colorista Cris Peter, primeira brasileira a concorrer ao Eisner, o Oscar dos quadrinhos, a predominância de homens no mercado ocidental de HQs se deve ao fato dessa indústria ter como foco a audiência masculina: “Se analisarmos as estratégias de marketing da maioria das editoras e os enredos das histórias, podemos perceber isso. Claro que as mulheres leem quadrinhos, mas elas ainda são uma minoria… Já que existem menos mulheres lendo quadrinhos, existem também menos mulheres conscientes de que trabalhar nessa indústria é possível”.

Com o intuito de promover as histórias em quadrinhos feitas por e para mulheres, surgiu o concurso Defrosting Women, promovido pela revista Wave em parceria com o Projeto Inverna, que atua na valorização e divulgação da arte gráfica feminina.

Para abrir o concurso em grande estilo, a Wave conversou com a quadrinista brasileira Paula Mastroberti, editora do Projeto Inverna.


 Você é uma autora premiadíssima, com uma carreira literária e gráfica de sucesso. Seu reconhecimento não seria uma prova de que as mulheres já conquistaram seu espaço no mercado dos quadrinhos?
Paula Mastroberti: Sou premiada como escritora e ilustradora em literatura juvenil, gênero que não cria muitos problemas com mulheres. Como quadrinista, acho que nós, autoras gráficas, estamos apenas começando a conquistar um espaço.

 Por que ainda existem poucas mulheres atuando como quadrinistas? 
Paula Mastroberti: Acho que não existem poucas autoras, existe é pouca visibilidade! As mulheres nunca são lembradas na área artística e cultural, porque nossa história ainda é contada do ponto de vista masculino.

Acho que não existem poucas autoras, existe é pouca visibilidade!

 Mesmo com super-heroínas dominando as páginas de séries como Mulher-Maravilha e Elektra, o público que consome esse tipo de história é predominantemente masculino. Por que isso acontece? 
Paula Mastroberti: Porque a maior parte dos quadrinhos industriais ocidentais são produzidos visando este público: não criam identidade com as leitoras. Entretanto, no oriente, os quadrinhos têm enorme público feminino, como se sabe. E por isso acabaram levando a fatia feminina do ocidente também.

 O nome do concurso, Defrosting Women, foi idealizado pelo Projeto Inverna. Existe algum significado por trás do título escolhido para representar a premiação? 
Paula Mastroberti: Foi um nome pensado por Juliana Dalla, colaboradora da Wave e que faz parte do time do Projeto Inverna, baseado no título do website Women in Refrigerators, criado por Gail Simone para listar personagens femininos dos quadrinhos mortas ou assassinadas de modo indigno ou humilhante, em oposição aos personagens masculinos, cuja morte é sempre heroica.

 Qual a importância de um concurso como esse para o mercado editorial dos quadrinhos? 
Paula Mastroberti: Ações como concursos ou publicações especializadas, como a Revista Inverna, ao abrir espaço para as autoras gráficas, destacam-nas e contribuem para com a divulgação do seu trabalho. Pelo menos é isso o que esperamos.

Tema: Livre

Normas de seleção:

1. Serão aceitas histórias gráficas originais e de autoria própria, contadas em até 3 quadros. Textos, quando houver, deverão estar em língua inglesa e/ou portuguesa.

2. Os trabalhos devem ser criados por mulheres brasileiras maiores de 16 anos, residentes no Canadá ou no Brasil. Para menores 18 anos, é preciso autorização por escrito dos pais, que deve ser enviada juntamente com a tirinha.

3. Cada autora poderá inscrever até dois trabalhos.

4. Apenas serão avaliadas tirinhas enviadas em formato PDF. Os trabalhos devem ser submetidos para os e-mails invernahq@gmail.com e brazwave@yahoo.ca. O prazo para envio dos trabalhos vai até o dia 1o de março de 2013.

5. Juntamente com suas tirinhas, as participantes devem enviar informações de contato, nome completo, idade, país de residência e minibiografia.

6. A autora da tirinha vencedora será contatada por e-mail. A partir da data de envio do comunicado, a autora terá até quatro dias úteis para enviar o material em formato e resolução especificados pela equipe editorial da revista Wave. Dentro desse prazo, a autora também deverá conceder uma entrevista à revista, bem como fornecer documentos que comprovem sua idade e seu local de residência, caso necessário.

7. Ao participar do concurso, as participantes concordam com todas as regras referentes tanto à seleção dos trabalhos quanto à divulgação da tirinha vencedora.

Prêmio: A tirinha vencedora será publicada na edição 46 da revista Wave, juntamente com uma entrevista concedida pela autora da obra. Um exemplar da edição 46 da revista será enviado à vencedora como cortesia.


 

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