A bossa de Maria Farinha

A paulistana encanta com seu ritmo e estilo sensual.

Por Luciana Savioli, de Montreal

Ela tem um nome forte, doce e sonoro. Mais do que isso, curiosamente, ela tem nome de praia! E, certamente, essa coincidência não se restringe apenas à semelhança das palavras. Afinal, assim como a paradisíaca praia pernambucana, a cantora e compositora Maria Farinha tem um balanço suave, uma luz própria e produz uma música deliciosa. Mas tudo começou bem longe da areia e do mar – Maria é paulistana nata, e há um ano no Canadá, sente falta mesmo de uma boa pizza aos domingos. Começou logo cedo a se interessar pela música. Segundo ela, não foi nem uma opção consciente, mas simplesmente “aptidão e paixão” – que, com o passar dos anos, foram crescendo até o ponto em que a música tornou-se uma necessidade básica na sua vida.

Com uma dedicação invejável, começou a estudar piano clássico, depois jazz e MPB. Entrou para o renomado Berklee College of Music, em Boston (Estados Unidos) depois graduou-se em música no Rollins College (Florida) e por fim fez seu mestrado em composição na York University, em Toronto, onde hoje é professora. Com esse extenso currículo acadêmico, Maria afirma categórica que “um bom artista nunca deve parar de estudar e pesquisar.” Afinal, para ela, a boa música é feita de 70% de transpiração e 30% de inspiração – além de uma boa base teórica e convivência com o meio musical, deve-se também “beber” da música, de todos os gêneros, do clássico ao folclórico.

Photo credit: mariaffarinha.com

Depois de tanto estudo, Maria começou uma carreira sólida nos Estados Unidos, onde foi cantora da banda Yes Brazil e posteriormente gravou seus dois primeiros CD’s – Planeta Banana e Endless Samba, no qual apresentou suas próprias composições ao lado de sucessos de Tom Jobim, Edu Lobo e Chico Buarque. O álbum Endless Samba foi considerado uma obra prima do jazz brasileiro por críticos de revistas americanas especializadas. Hoje, com mais de 20 anos de carreira, Maria aterrisa definitivamente em terra canadense, trazendo consigo sua bossa que tanto a define e a diferencia – canta jazz, coloca uma pitada de Música Popular Brasileira, junta os tons da Bossa Nova e está feito o seu estilo.

Atualmente, Maria Farinha é um dos nomes de destaque do cenário musical canadense, onde tem feito show para platéias cada vez maiores. Mas, afinal, do que mais gosta no fato de ter trocado o Brasil pelo Canadá? “Fico encantada com a seriedade com a qual os músicos, entidades e o governo da América do Norte lidam com a arte. Infelizmente, o Brasil ainda está longe desta realidade”.

Ano passado, Maria lançou seu novo álbum Beijo de Amor, que traz músicas de sua autoria como também de seus compositores brasileiros favoritos e, ano que vem, seus fãs e admiradores poderão contar com mais um trabalho seu, um CD de músicas brasileiras. “Ainda estou no começo, ainda tenho muita coisa para encarar. Mas acho que dentro dessa crise da “boa música” que existe hoje, em que tudo é produzido por máquinas, os bons músicos são uma espécie em extinção”, finaliza Farinha.

Saiba mais sobre Maria Farinha em mariaffarinha.com

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