Ivaldo Bertazzo

O homem que crê no poder da dança.

Por Roberta Wiseman

Ivaldo Bertazzo é um visionário coreógrafo brasileiro que acredita que todo mundo pode dançar. Agora, suas idéias, arte e movimentos se preparam para conquistar palcos do mundo todo.

Desde a década de 1970, Ivaldo Bertazzo vem eletrificando platéias com shows que emanam energia e beleza. Ele é famoso por trabalhos que envolvem um grande número de pessoas no palco e que incorporam sempre uma mensagem social, enquanto servem também para expandir a concepção usual que temos da arte da dança.

Tratado com reverência pelos brasileiros, Bertazzo vem agora ganhando atenção internacional. Ele faturou, por exemplo, o importante prêmio do Fundo Príncipe Claus para Cultura e Desenvolvimento de 2004 – o Fundo é uma organização holandesa que promove a arte no mundo todo. Por causa disso, o coreógrafo foi convidado a apresentar um de seus espetáculos, Samwaad – Rua do Encontro, para o público da Holanda em 2005. Além disso, as produtoras Bossa Nova Films, do Brasil, e Espace Vert e Stormy Nights, do Canadá, criaram em conjunto um documentário sobre os dançarinos de Bertazzo, o processo de produção do espetáculo e os bastidores da recente apresentação do grupo em Paris.

No princípio, era ação

Foi por volta de 1976 que Bertazzo começou a desenvolver a idéia de que a dança era para todo mundo – e não só para quem consegue pagar aula de balé – e que o movimento podia ser usado para uma reconquista do nosso próprio corpo. Sua noção de “cidadão-dançante” promove isso mesmo: o uso do movimento como meio de acabar com todo tipo de opressão. Para ele, mesmo quem não é dançarino profissional é capaz de dançar, tem o direito político de ser dono do seu próprio corpo e de movimentá-lo à vontade.

Partindo dessa concepção, ele fundou uma escola de dança em São Paulo onde dá aulas para quem pode pagar para reeducar o corpo, mas Ivaldo também trabalha com grupos de jovens de favelas no que define como “dança comunitária” – um movimento que unifica expressão artística com ação social. E foi com os alunos de sua dança comunitária que ele produziu Samwaad.

Quem foi admitido no projeto dança comunitária treinou seis horas por dia e teve aulas de português, inglês, canto, percussão, terapia física, história da dança e origami. As aulas de dobradura de papel à moda japonesa foram consideradas importantes para o desenvolvimento da consciência espacial do aluno. Além disso, os garotos e garotas tiveram acesso a aconselhamento psicológico, médicos, dentistas e até mesmo comida. Bertazzo acredita que cuidar do corpo através da dança estimula o respeito próprio, a autoconfiança e o respeito ao próximo.

Os jovens entre 13 e 28 anos que participaram do projeto acham que conseguiram mesmo usar a dança para desenvolver um senso de identidade própria e, ao mesmo tempo, encontrar seu lugar na sociedade. E era isso mesmo que desejava a tal “dança comunitária” desse visionário Bertazzo.

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