Serra da Capivara

Uma viagem à nossa origem.

Por Eliane da Fonseca, de São Paulo

Já imaginou ver de perto provas de como o “brasileiro” vivia há 50 mil anos? Pois o Parque Nacional da Serra da Capivara, no interior do estado do Piauí, traz algumas indicações da rotina do homem das cavernas brasileiro e tem até indícios de que o primeiro ser humano das Américas pode ter vivido bem ali, no Nordeste do Brasil.

O Parque foi fundado em 1979 após uma dura batalha liderada pela arqueóloga brasileira Niéde Guidon, doutorada em pré-história pela Universidade de Paris I, que desde o começo dos anos 60 vinha estudando as pinturas, esqueletos e objetos encontrados na região. A criação do Parque foi uma medida para proteger esses sítios arqueológicos e pinturas, preservar uma fatia da vegetação típica local, a caatinga, e também dar chance aos visitantes de aprender e se encantar com esse verdadeiro museu a céu aberto.

Pinturas rupestres na Serra da Capivara – Fonte: fumdham.org.br

Hoje a gestão do Parque está a cargo da Fundação Museu do Homem Americano, a FUMDHAM, formada em 1986 por pesquisadores de uma cooperação científica bi-nacional França-Brasil. A FUMDHAM também opera o Museu do Homem Americano, situado a cerca de 20 quilômetros do Parque, na cidade de São Raimundo Nonato.

No museu, uma exposição permanente revela achados de 30 anos de escavações e pesquisas na região. São ferramentas, cerâmicas, ossadas humanas e urnas funerárias, além de reproduções de inscrições e gravuras rupestres ao dispor do visitante de terça a domingo, das 9h às 17h. “É uma belíssima exposição, renovada há dois anos com recursos do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e que mostra a evolução das técnicas pré-históricas desde as primeiras pedras lascadas até a pedra polida, a invenção da cerâmica e sua evolução, alguns enfeites feitos de pedra, madeira e sementes”, afirma Niéde.

Trilhas, aventuras e a história viva

No parque da Serra da Capivara, 22 sítios arqueológicos estão preparados para a visitação, com escadas de acesso e passarelas que facilitam a observação das pinturas rupestres. E para chegar a cada um desses sítios existem trilhas de diferentes níveis de dificuldade, cada uma delas com paisagens mais interessantes que a outra, com morros de mármore cinza e negro, lagoas, ilhas de florestas e cerrado, além de lagos e fontes naturais.

O parque conta com um Centro de Visitantes equipado com lanchonete, auditório com vídeo, sala de exposição, loja de lembranças e sanitário público. Existem também pontos para piqueniques. E, apesar de o local ser muito bem sinalizado, é obrigatório contratar um guia credenciado para fazer as trilhas e visitar os sítios.

Formações rochosas no Alto da Pedra Furada / Baixão das Mulheres – Fonte: fumdham.org.br

O cartão-postal da Serra é a Pedra Furada, uma abertura de 15 metros de diâmetro em um paredão com mais de 60 metros de altura onde existem mais de 1.100 pinturas, e que também pode ser visto à noite, iluminado, se você combinar o passeio.

Para o visitante em boa forma, uma opção interessante é visitar o Caldeirão do Rodrigues e Canoas. A subida até lá é íngreme, com a escalada levando duas horas até o reservatório onde os animais da região vão beber água. Mas independente da sua capacidade física, ninguém deve deixar de visitar o desfiladeiro do Baixão das Andorinhas, que tem 90 m de profundidade. Ali, todo dia, ao cair da tarde, bandos de andorinhas mergulham para as fendas em alta velocidade, dando um espetáculo à parte.

Por toda essa riqueza, a Serra da Capivara foi declarada pela UNESCO Patrimônio Cultural da Humanidade. Também pleiteia o título de Patrimônio Mundial Natural, o que faria o parque entrar para o seleto grupo de 23 locais do mundo considerados, ao mesmo tempo, patrimônios cultural e natural do planeta.

Dicas

  • A maneira mais rápida de chegar ao Parque Nacional da Serra da Capivara é através de Petrolina, Pernambuco, que fica a cerca de 300 quilômetros de distância.
  • A temperatura anual na região é de 28o C, mas as noites podem ser frias, chegando até os 10o C. Mesmo assim, não se engane: traga o protetor solar, um boné, seu lanche e cantil com bastante água. O parque funciona o ano inteiro, das 7 às 19 horas, mas a melhor época para visitar é entre dezembro e junho, quando o clima é mais ameno.
  • Os restaurantes e as acomodações na região são simples, mas em geral, descentes. Uma boa opção pode ser acampar na área do próprio Museu do Homem Americano, após obter a autorização da FUMDHAM para montar a sua barraca.

Link

FUMDHAM – Serra da Capivara

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