A poesia concreta de Niemeyer

Arquiteto carioca pioneiro que fez obras inesquecíveis.

Por Fátima Mesquita

Museu do Olho, Curitiba, Brasil.

À beira de completar 100 anos de idade, Oscar Niemeyer, amante das curvas talhadas no concreto e dos livros de filosofia, vai todo dia trabalhar no seu escritório em Copacabana, e muitas vezes até no final de semana. Ele é o arquiteto carioca pioneiro que injetou lirismo onde antes só havia função e ciência e que, assim, fez brotar obras simplesmente inesquecíveis.

 Em 1940, o prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, ligou para Niemeyer pedindo que ele desenhasse o complexo da Pampulha, com prédios ao redor da lagoa artificial a ser construída. Assim surgia a Igreja de São Francisco de Assis, hoje símbolo da capital mineira. Nascia também a ligação entre o político e o arquiteto e que, cerca de dez anos depois, ia mudar o rosto do país, com a construção de Brasília, a nova capital erguida no coração do Brasil.

O Museu de Arte de Niterói foi inaugurado em 1996 e virou fundo de editoriais de moda de grandes revistas do mundo, além de cenário futurista de comercial da Colgate e ponto de peregrinação de arquitetos famosos de todo o planeta. O prédio, uma espécie de disco voador branco plantado em ponto privilegiado, com o Pão de Açúcar ao fundo, parece se misturar com a água do mar abaixo, enquanto os visitantes atravessam uma rampa em espiral para checar de perto o acervo.

O mote de Niemeyer sempre foi “surpresa e encantamento” e é isso que se vê no Museu de arte que leva seu nome e que está localizado em Curitiba. O MON (Museu Oscar Niemeyer) é também conhecido como “Museu do Olho”, por conta do anexo que fica em frente ao prédio maior e que, mais uma vez, traz a idéia de uma construção que flutua – um grande olho de concreto e vidro com quadro andares dedicados à arte.

Outras obras: Niemeyer também assinou o projeto dos CIEPS, as escolas públicas dos Rio de Janeiro, além de vários prédios na Argélia, inclusive uma universidade. Comunista convicto, assustado com os rumos do Golpe de 1964 que militarizou o país e instituiu a ditadura, o arquiteto partiu em auto-exílio em 1967, só retornando para o Brasil na década de 1980. Nesse período, construiu a sede da editora Mondadori na Itália e do partido Comunista Francês em Paris. Em Nova York, no começo da carreira, colaborou com Le Corbusier na criação do prédio das nações Unidas. Também tem prédios em Portugal, Malásia e Venezuela.

Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,

Comments are closed.