E a tal culinária canadense?

Entre as coisas que mais me chamaram a atenção em Vancouver, certamente o fato de não haver uma legítima culinária canadense é a primeira delas.

Por Fernando de Paulo / Vancouver

Crédito: flickr.com/photos/avlxyz/

Antes de vir para Vancouver, eu pesquisei e li bastante sobre o modo de vida da população, hábitos sociais e culturais, a paixão pelo hockey, características econômicas da cidade, a presença massiça de estrangeiros na cidade, o que faz de Vancouver uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, enfim, estava ciente de quase tudo que estava por vir, com exceção de uma singela, mas não menos impactante surpresa com a qual eu me depararia: o fato de que não existe algo que possamos denominar culinária de Vancouver.

Assim que desembarquei na cidade e fiz minha primeira refeição na homestay, estranhei a comida. Trocando em miúdos, não fui com a cara daquilo que estava comendo. Aquele arroz tipicamente oriental, sem sal, sem óleo, sem tempero, sem água. Sem vida, completamente insosso. Como acompanhamento, os legumes mal cozidos, duros, igualmente sem temperos. E o principal, humm, uma carne terrivelmente apimentada e pesada, esta sim, com todos os condimentos e temperos que o ser humano já criou e mais umas cinco novas especiarias que haviam sido descobertas naquele dia. Meu estômago queria pedir arrego, mas eu continuei firme, afinal além do fato de que eu necessitava de comida para sobreviver, eu não tinha cruzado o oceano para continuar seguindo os prazeres de uma dieta à base de muito fast food. Não, os dias de sanduíches, pizzas, comidas instantâneas e semi prontas permaneceriam eternamente como lembranças dos meus dias de universitário, em Bauru. País novo, língua nova, vida nova e comida nova. Mas nem sempre o ineditismo é algo válido, como a culinária daqui provou.

Infelizmente a cidade não soube assimilar um pouco de cada hábito alimentar das diversas nacionalidades que aqui vivem, para criar uma “culinária cosmopolita em Vancouver”. Uma excelente chance desperdiçada.

Por mais que haja uma enorme carta de excelentes restaurantes em Vancouver, nenhum deles se dedica a fazer o simples, porém essencial, àqueles que como eu gostam de experimentar a comida típica do lugar em que vivem: uma comida originária da própria terra, nascida e criada aqui. Evidentemente me agrada a possibilidade de poder conhecer inúmeros pratos de todo o mundo, com especial destaque aos milhares de pequenos resturantes de comida japonesa, chinesa, coreana, vietnamita, tailandesa e assim por diante.

A maturidade e a vivência adquiridas ao longo desses anos me convenceram de que comer é um dos prazeres do qual não podemos abrir mão. Pouca coisa ao redor pode ser tão apreciadora quanto uma boa refeição. Certamente uma refeição feita à base de muito óleo, gordura e conservante, com hamburguers e pizzas, certamente não é merecedora de adjetivo algum, a não ser os depreciadores. E se é pra depreciar e falar mal, melhor não fazer, no caso, não comer.

Enquanto isso, eu continuo frequentando inúmeros restaurantes asiáticos e me perguntando aonde eu posso encontrar algum resquício da verdadeira comida canadense.

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