Solange Escosteguy Cardoso

As artes sempre estiveram presentes em sua vida. Seu pai era médico, poeta e artista plástico. Sua mãe, além de decoradora foi apresentadora de um programa de TV sobre decoração. Há mais de 40 anos no mercado, produzindo e expondo, a artista plástica Solange Escosteguy, esposa do novo Cônsul Geral do Brasil em Toronto, nos contou um pouquinho sobre a sua trajetória e suas responsabilidades diplomáticas. A gaúcha, nascida em Porto Alegre, conta que está encantada com a cidade de Toronto.

As artes plásticas sempre foram sua meta ou você teve outras profissões? Qual é sua formação acadêmica?
Solange Fiz um curso de visitadora sanitária, uma espécie de assistente social. Mas meu interesse pelas artes foi mais forte e passei a me dedicar somente às artes plásticas. Aos 19 anos eu já era uma artista participante nos movimentos da Nova Objetividade Brasileira e fazia desfiles inovadores. Nunca mais pensei em ser outra coisa, mas hoje penso que poderia ter sido uma boa arquiteta. Fiz vários cursos de atelier, mas nenhum curso universitário regular. Meu trabalho se desenvolveu graças ao meu próprio esforço e muita perseverança.

Quais são suas principais influências?
Solange – Evidentemente fui marcada pelos artistas que participavam da Nova Objetividade. Oiticica foi sem dúvida a pessoa que mais se interessou pelo que fazia e me estimulou muito escrevendo minha primeira apresentação. Naquela época diziam que eu me inspirava em Mondrian. Na verdade, acho que fazia uma anti-geometria, a que Oiticica chamava de “anti-caixas”, nada a ver com Mondrian ou com os artistas geométricos. Nunca me preocupei com esse tema. Na verdade meu trabalho sempre girou em torno de formas e cores que era o que eu sabia fazer. Nunca soube desenhar!

Qual trabalho você considera a sua maior colaboração no mundo das artes?
Solange – Acho que meu trabalho na pintura em tecido foi pioneiro. Naquela época poucos eram os artistas que penetravam nesse mundo. Meus vestidos nunca foram uma pintura de quadro transposta para um vestido, mas uma peça em que a pintura, o corpo e seu movimento são integrados numa só criação. Anos mais tarde descobri o papel maché. Desenvolvi uma linha de trabalho e hoje me gratificam enormemente as aulas que tenho dado e a sementinha da criatividade que vou deixando nos diversos países por onde passei. Além de uma forma de reciclar materiais, o papel maché é também uma busca de soluções para por uma obra em pé, e isso exige uma enorme criatividade.

Como é ser esposa de um Embaixador? Quais são suas responsabilidades?
Solange – Representar o meu país é uma enorme responsabilidade. Como em tudo que faço, sou esforçada, às vezes acerto e às vezes erro. Mas já senti muitas vezes o peso do cargo e, nessas ocasiões, procuro transformar isso em algo positivo e generoso.

Conte-nos um pouco sobre o seu projeto em Angola…
Solange – Angola foi uma experiência incrível. Tenho certeza de que ninguém passa por um país como esse, em plena recuperação econômica, mas ainda com enormes problemas de desenvolvimento, sem sentir o peso das dificuldades. Fomos para Luanda com grande entusiasmo e, nesse espírito, procurei ajudar meu Embaixador no setor cultural, que é o que conheço mais. Também pude realizar um trabalho extremamente gratificante de apoio à população mais carente. Tive também a oportunidade de oferecer vários workshops para os artistas locais, passando minha experiência de papel maché. Digo com absoluta honestidade que usei o peso do cargo para unir nossa comunidade em torno de várias causas e foi lindo contar com a generosidade de tantos brasileiros.

Recém-chegada a Toronto, quais as suas impressões sobre a cidade até o momento?
Solange – Vindo de Angola, salta aos olhos a quantidade de verdes, flores, pássaros e esquilos que dão uma enorme tranquilidade a cidade. Também chamam atenção à mistura entre o antigo e o moderno, os bondes convivendo com metrôs, a enorme quantidade de museus e festivais de cinema e também a grande mistura de povos absolutamente integrados à vida local. Sem falar na limpeza da cidade. Uma mudança de 180 graus. Do calor ao frio. Tenho certeza de que passaremos belos anos por aqui.

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