Cibelle Iglesias

Ela é um diamante bruto que foi sendo lapidado com o tempo, mas que certamente o dom de cantar já estava presente na alma. Alto astral, vigorosa e com vozeirão comparável a Alcione e Ivete Sangalo. Essa é Cibelle Iglesias, a mineirinha que ama o que faz e que hoje vive em Toronto e vem conquistando os corações brasileiros e canadenses.

Por Nádia Nogueira

Ainda muito jovem, perdeu o contato com seu pai, músico baixista, que nos anos 70 cantava e tocava na noite de Minas Gerais. Mas Iglesias nunca perdeu a presença da música em sua vida, adorava escutar e cantar canções em casa. Sua mãe, a maior influenciadora, ensinou-a a gostar de vários tipos de música, desde bolero até bossa nova.

Como foi sua chegada ao Canadá?
Iglesias – Eu tenho quatro primas que moram aqui, e na época eu tinha me separado do pai do meu filho, trabalhava no banco, não tinha universidade e então pensei: “o que é que vou ficar fazendo aqui?”. Minha mãe sugeriu que eu passasse uma temporada no Canadá, para fazer um dinheirinho e voltar. Dei entrada no visto e cheguei aqui no dia 5 de abril de 2002. Saí do Brasil com 35 graus, quando cheguei aqui estava cinco! Na mesma hora pensei: “que frio, quero voltar!”

E como você continuou com o canto por aqui?
Iglesias – Quando eu cheguei, logo procurei um lugar que tivesse karaokê. Tinha um bar novo na Dundas St, a rua dos brasileiros, que tinha karaokê em português e, logo no começo, eu ia lá…cantava de três a quatro músicas e ia embora. Depois de um tempo, assim que eu entrava no bar, vinha gente elogiar minha voz e me pedir músicas.

E foi nesta festa que as coisas começaram a acontecer na sua carreira?
Iglesias – Na festa da Nossa Senhora Aparecida, da Igreja Santo Antônio, na qual eu participo todos os anos, conheci a Consola, esposa de Alan Hetherington, da banda Sambacana. Alan foi uma pessoa muito importante para mim aqui no Canadá, porque através dele, eu entrei para substituir a cantora que eles tinham, e daí fiquei nessa banda por quase cinco anos.

Qual foi o maior desafio na sua carreira?
Iglesias – O maior desafio para mim no Canadá foi realmente a língua. Agora na carreira de cantora eu nunca tive, é engraçado, mas a música sempre veio muito naturalmente. Eu nunca almejei gravar um disco, participar de show de artistas, fazer apresentações ou de querer aparecer neste sentido. Tudo começou de maneira muito natural.

Aqui no Canadá tem um número razoável de artistas brasileiros, como você sente o mercado para a música brasileira aqui?
Iglesias – Vem crescendo e eu desejo que cresça muito mais! Fiz muitos shows para canadenses, eles amam a cultura brasileira, por isso sempre faz sucesso. Mas para chegar até uma rádio é muito difícil, eu acho que porque tem muita gente no mercado, muitos artistas canadenses.

Qual foi a maior emoção que você já teve?
Iglesias – A maior emoção que eu tive foi num festival pequeno de jazz, numa cidadezinha chamada Loren, em Ontário. Eram 600 pessoas mais ou menos e tinham alguns brasileiros. Eu estava cantando a música “Malandro”, quando pedi para que o público cantasse comigo. A banda abaixou o som e todas aquelas pessoas começaram a cantar comigo. Meus olhos se encheram de lágrimas.

Você pretende lançar um CD solo? O que podemos esperar?
Iglesias – Sim, porém, dependo de disponibilidade financeira pra fazê-lo, infelizmente ainda não tenho data. Para fazer um CD é preciso focar em um mercado e a audiência portuguesa gosta de músicas mais animadas.

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