Hábitos brasileiros no Canadá

A psicóloga Elizabeth Schulz fala sobre a adaptação em um novo país.

Por Elizabeth Schulz

Tantas promessas e sonhos na mudança para um outro país… O imigrante é como um pioneiro, que vem “descobrir” novas terras e explorar novas oportunidades. Sonhar é muito bom e como dizia Carl Sandburg, “Nada acontece antes do sonho” (Nothing happens unless first a dream). É o ideal que nos motiva e nos guia. No entanto, vivendo fora da nossa terra, as expectativas podem bater de frente com a realidade do dia a dia.

Dentro da minha prática, recebo casais que entram em conflitos sérios durante a fase de adaptação ao Canadá. E o motivo é simples: na valise da mudança, trazemos velhos hábitos que não se encaixam nesta nova realidade. Um exemplo muito comum entre nós é a tentativa de aplicar a maneira brasileira na manutenção da nossa casa. Nas tarefas domésticas, tentam seguir a mesma rotina, e o pior, manter os mesmos padrões de “excelência” que tinhamos lá na terrinha.

Longe da família e de toda sua ajuda e proteção, fica muito complicado tentar fazer as coisas do mesmo “jeitinho”. Ainda mais quando o casal tem filhos pequenos. Muitos brasileiros recém-chegados tentam limpar a casa com a mesma frequência, lavar o banheiro todos os dias, preparar o “trivial simples” nas refeições, cuidar da roupa como outrora, além da necessária dedicação aos filhos, estudar e trabalhar. E frequentemente, sentem-se mal e culpados quando não conseguem fazer isso tudo como antes.

Desta maneira, o cansaço se acumula rapidamente e em consequência, a paciência e o carinho com o outro diminuem de forma significativa causando conflitos. A resolução deste problema pode parecer fácil, mas podem apostar que desligar-se de velhos hábitos é muito, mas muito difícil!

O meu conselho? Mais vale a pilha de roupa suja acumulando na cesta, que um casal brigando na sala. Pessoas e sentimentos são mais importantes do que a casa brilhando.

Mantenha a nossa cultura viva, falando o português em casa, ouvindo e promovendo a nossa música, organizando atividades culturais com as crianças… Mas nas coisas práticas, aprenda com as pessoas que vivem aqui há mais tempo: Como dividir as tarefas domésticas? Como evitar o fast-food sem se matar na cozinha? Quem pode ficar com o bebê para se pegar aquele cineminha? Existem muitas maneiras e truques para fazer essa rotina mais fácil. Podem acreditar.

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Elizabeth Schulz

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